Importação de diesel russo pelo Brasil cresce e entra na mira dos EUA

Trump ameaça taxar países que compram petróleo russo, como o Brasil e a Índia

As compras de diesel russo pelo Brasil explodiram desde o início da Guerra da Ucrânia, em 2022. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), as importações saltaram de US$ 16,9 milhões em 2021 para US$ 5,3 bilhões em 2024. Apenas no primeiro semestre de 2025, o país já importou US$ 2,5 bilhões em diesel da Rússia — um aumento de mais de 300 vezes em apenas três anos.

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Esse crescimento se deu, sobretudo, após as sanções impostas por países europeus ao petróleo russo, abrindo espaço para que o Brasil substituísse fornecedores tradicionais pelo produto com origem no Kremlin, que apresenta preços mais atrativos. A maior parte dessas importações corresponde ao diesel, sendo os demais derivados de petróleo russos menos representativos na balança comercial.

No entanto, esse movimento acendeu o alerta dos Estados Unidos. O ex-presidente Donald Trump, que lidera as pesquisas para voltar ao comando da Casa Branca, tem ameaçado aplicar tarifas de até 100% sobre países que continuarem negociando petróleo ou derivados com a Rússia. A Índia já foi alvo recente de uma sobretaxa de 25%, totalizando 50% de tarifa em retaliação às compras de combustível russo.

Segundo a CNN Money, parlamentares americanos alertaram senadores brasileiros de que o Brasil pode sofrer sanções semelhantes caso mantenha o nível atual de importações. O governo dos EUA vê esse comércio como um apoio indireto ao regime russo em meio ao conflito com a Ucrânia. Analistas apontam que uma eventual taxação americana pode impactar duramente setores estratégicos da economia brasileira, especialmente transporte e logística.

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