O governo federal anunciou, na terça-feira (12), um pacote de medidas para amparar exportadores prejudicados pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos como aço, alumínio, etanol e itens agrícolas. A medida provisória, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê uma linha de crédito de R$ 30 bilhões, voltada principalmente a pequenas empresas que exportam para o mercado norte-americano. O objetivo, segundo Lula, é evitar demissões e auxiliar na busca por novos mercados para os produtos brasileiros.
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, Lula afirmou que, se necessário, o valor do crédito poderá ser ampliado. O pacote inclui mudanças no Fundo de Garantia à Exportação (FGE), administrado pelo BNDES, permitindo que o fundo também disponibilize recursos diretamente, e a criação de um programa de compras governamentais de produtos que seriam destinados aos EUA. O presidente destacou ainda que o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar reverter ou reduzir as tarifas, mas reforçou que a postura será de diálogo, evitando retaliações precipitadas.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou que o plano foi elaborado após reuniões com representantes do setor produtivo e visa reduzir os impactos econômicos e sociais das sanções comerciais. Haddad também confirmou que as negociações com Washington estão suspensas no momento, após o cancelamento de uma reunião com o secretário do Tesouro norte-americano. Já o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que o governo está trabalhando para redirecionar exportações para outros mercados estratégicos, como China e Índia.
Uma pesquisa Ipsos-Ipec, realizada entre 1º e 5 de agosto, indica que 75% dos brasileiros veem o tarifaço como uma decisão política, e não apenas comercial. A medida também afetou a imagem dos EUA: 38% dos entrevistados disseram ter piorado sua percepção sobre o país. Entre as soluções defendidas pela população, 68% apoiam a diversificação de parcerias, priorizando acordos com mercados como China e União Europeia. Especialistas apontam que a questão se tornou mais um campo de disputa ideológica no cenário político brasileiro.