Correios veem perda de clientes e projetam prejuízo de R$ 5,8 bi

Relatório interno aponta queda de caixa, atraso de R$ 3,7 bilhões em obrigações e dependência de empréstimos para manter operações

Documento da diretoria financeira dos Correios indica que a empresa entrou em um “ciclo vicioso de prejuízos”, com deterioração operacional, redução de receitas e dificuldade para honrar compromissos. A estatal estima encerrar 2025 com resultado negativo de R$ 5,8 bilhões e prevê rombo ainda maior em 2026.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Correios veem perda de clientes e projetam prejuízo de R$ 5,8 bi 

Relatório produzido pela Diretoria Econômico-Financeira aponta que a piora no desempenho operacional tem sido o principal fator para as perdas recorrentes. A avaliação é que a queda na qualidade dos serviços levou à saída de clientes estratégicos — responsáveis por mais da metade da receita — e comprometeu a geração de caixa.

Com menos recursos disponíveis, a empresa acumulou atrasos de R$ 3,7 bilhões em pagamentos a fornecedores, empregados e tributos até setembro de 2025. O documento classifica a insuficiência de caixa como o ponto mais crítico para a sustentabilidade do negócio e afirma que o modelo atual opera no limite entre as obrigações legais, a pressão competitiva e a capacidade de gerar valor.

Entre janeiro e setembro de 2025, as entradas de caixa somaram R$ 16,94 bilhões, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, a estatal registrou retração de R$ 3,23 bilhões nas receitas. As saídas totalizaram R$ 16,68 bilhões, abaixo do observado em 2024, movimento associado à postergação de pagamentos.

Para enfrentar a crise, a empresa recorreu a empréstimos que somaram R$ 13,8 bilhões ao longo do ano, mas a maior parte dos recursos só ingressou no caixa no fim de dezembro, o que limitou o efeito imediato sobre o fluxo financeiro.

As projeções indicam leve revisão para baixo no prejuízo de 2025, que havia alcançado R$ 6 bilhões até o terceiro trimestre, mas apontam deterioração em 2026. A estimativa da diretoria é de déficit de R$ 9,1 bilhões ao fim do próximo exercício, caso todas as despesas correntes previstas sejam executadas.

O diagnóstico interno sugere que a recuperação depende de melhora operacional capaz de reter grandes clientes e recompor receitas, condição considerada essencial para interromper o ciclo de perdas.

Leia também