A taxa de inadimplência em operações de crédito com recursos livres subiu para 5,5% em janeiro, o maior patamar desde agosto de 2017, em meio ao cenário de juros elevados. Os dados divulgados pelo Banco Central mostram ainda retração nas concessões de empréstimos e aumento das taxas cobradas pelos bancos.
O índice havia ficado em 5,4% em dezembro e acumula alta de 1,1 ponto percentual em 12 meses. O movimento ocorre em um ambiente de política monetária restritiva, com a taxa básica de juros em 15% ao ano, nível mantido pelo Banco Central após um ciclo de aperto que levou a Selic ao maior patamar em quase duas décadas.
Embora tenha sinalizado a possibilidade de iniciar cortes nos juros diante de sinais de desaceleração da economia, a autoridade monetária ainda vê os efeitos do crédito mais caro sobre a capacidade de pagamento de consumidores e empresas.
No Relatório de Política Monetária mais recente, o Banco Central atribuiu o aumento da inadimplência ao longo de 2025, principalmente, a mudanças nas regras de classificação de risco das operações, mas indicou observar sinais iniciais de estabilização do indicador.
Os dados de janeiro mostram também retração nas concessões de crédito. O volume total de novos empréstimos caiu 18,9% em relação a dezembro, o que levou o estoque de crédito do sistema financeiro a recuar 0,2%, para R$ 7,116 trilhões.
Nas operações com recursos livres — em que as condições são negociadas diretamente entre bancos e clientes — a queda nas concessões foi de 17,2%. Já nas linhas com recursos direcionados, que seguem regras definidas pelo governo, o recuo foi mais intenso, de 32,9%.
O custo do crédito continuou em trajetória de alta. A taxa média de juros nas operações com recursos livres chegou a 47,8% ao ano em janeiro, avanço de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Nas linhas direcionadas, os juros ficaram em 11,6% ao ano.
O spread bancário — diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa cobrada do cliente — também aumentou, passando de 33,0 para 34,3 pontos percentuais nas operações com recursos livres.