Superávit das contas públicas soma R$ 103,7 bi

Alta dos juros pressiona resultado nominal e mantém déficit em 12 meses

O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (27). Apesar do saldo positivo em todas as esferas de governo, o resultado ficou abaixo do observado no mesmo mês de 2025.

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Superávit das contas públicas soma R$ 103,7 bi

O desempenho reúne as contas da União, dos estados, dos municípios e das empresas estatais — excluídas Petrobras e Eletrobras — e considera a diferença entre receitas e despesas sem o pagamento dos juros da dívida. Em janeiro do ano passado, o superávit havia sido de R$ 104,1 bilhões.

No recorte por entes federativos, o Governo Central apresentou superávit de R$ 87,3 bilhões, revertendo o déficit de R$ 83,2 bilhões registrado no mesmo mês de 2025. O resultado difere do divulgado pelo Tesouro Nacional devido à metodologia do Banco Central, que incorpora a variação da dívida dos entes públicos.

Os governos regionais contribuíram positivamente com R$ 21,3 bilhões, enquanto as empresas estatais registraram déficit de R$ 4,9 bilhões, ampliando a pressão sobre o resultado consolidado.

Os gastos com juros somaram R$ 63,6 bilhões no mês, impactados pela taxa básica de juros mais elevada e pelo aumento do estoque da dívida. Com isso, o superávit nominal — que inclui o pagamento dos juros — caiu para R$ 40,1 bilhões, ante R$ 63,7 bilhões em janeiro de 2025.

No acumulado de 12 meses, o setor público apresenta déficit primário de R$ 55,4 bilhões, equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Já o resultado nominal negativo chega a R$ 1,1 trilhão, ou 8,49% do PIB, indicador acompanhado por agências de classificação de risco e investidores.

A dívida líquida do setor público alcançou R$ 8,3 trilhões em janeiro, o equivalente a 65% do PIB, com leve recuo em relação ao mês anterior. A dívida bruta do governo geral permaneceu estável em R$ 10,1 trilhões, ou 78,7% do PIB, patamar utilizado em comparações internacionais.

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