A Petrobras informou que pode reduzir os efeitos da alta do petróleo no mercado brasileiro ao mesmo tempo em que mantém a rentabilidade da companhia. A avaliação foi divulgada em nota enviada à Agência Brasil, em meio à volatilidade no mercado internacional de energia provocada por conflitos e tensões geopolíticas.
Segundo a empresa, a estratégia comercial adotada atualmente permite diminuir o impacto das oscilações externas no país. A estatal afirma que passou a considerar, em suas decisões, fatores como as melhores condições de refino e logística, o que abre espaço para períodos de maior estabilidade nos preços dos combustíveis.
De acordo com o comunicado, essa abordagem contribui para reduzir a transmissão imediata das variações do mercado internacional para o mercado brasileiro, preservando ao mesmo tempo a sustentabilidade financeira da companhia. A Petrobras acrescentou que, por razões concorrenciais, não pode antecipar decisões sobre eventuais reajustes, mas reforçou o compromisso de atuar de forma responsável, equilibrada e transparente perante a sociedade.
A alta recente do petróleo está ligada ao aumento da tensão no Oriente Médio. A guerra envolvendo o Irã e a situação no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quarto do petróleo comercializado no mundo, elevaram o preço do barril no mercado global.
Na segunda-feira (9), o barril chegou a aproximadamente 120 dólares, o maior nível em vários anos. Antes do início do conflito, a cotação média estava próxima de 70 dólares. Após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando a possibilidade de encerramento da guerra, os preços recuaram e o barril do tipo Brent voltou a ser negociado abaixo de 100 dólares, embora ainda acima dos níveis registrados antes da crise.
Especialistas apontam que a capacidade da Petrobras de amenizar parte desse impacto está relacionada à mudança na política de preços adotada pela companhia. A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Ticiana Álvares, explica que a estatal deixou de seguir integralmente a política de paridade de preços internacionais em 2023.
Segundo ela, o modelo anterior fazia com que os preços internos acompanhassem completamente as oscilações do mercado global. Com a mudança, a empresa passou a considerar também fatores internos, o que amplia a margem de atuação para administrar reajustes.
Apesar disso, a especialista ressalta que o efeito dessa estratégia é limitado e temporário. Isso ocorre porque o Brasil ainda depende da importação de derivados de petróleo, como gasolina e diesel, além de contar com refinarias que foram privatizadas nos últimos anos.
Como exemplo, ela cita a refinaria da Bahia, que deixou de ser controlada pela Petrobras. Segundo a analista, nesses casos há menos instrumentos para controlar eventuais aumentos de preços, já que as empresas privadas seguem estratégias próprias de mercado.