A dívida externa do Brasil atingiu o maior nível já registrado e se aproxima da marca de US$ 400 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Em janeiro, o estoque total chegou a US$ 397,5 bilhões, valor que representa o maior patamar em 56 anos de estatísticas da autoridade monetária.
O indicador considera as obrigações financeiras do país com credores internacionais, incluindo dívidas do governo, de instituições financeiras e de empresas privadas. O avanço reflete uma trajetória de crescimento iniciada em 2023, período em que o volume total da dívida externa aumentou cerca de 24,4%.
Entre os setores responsáveis pelo endividamento, o sistema bancário concentra a maior parcela, com cerca de US$ 159,4 bilhões, o equivalente a pouco mais de 40% do total. Na sequência aparecem empresas e outros segmentos da economia, com aproximadamente US$ 133 bilhões, enquanto o governo geral responde por cerca de US$ 86,5 bilhões. O próprio Banco Central detém cerca de US$ 18,6 bilhões do montante total.
Apesar do recorde, houve redução na dívida externa do governo quando considerada apenas a parcela em moeda estrangeira. Na comparação com dezembro de 2024, o valor caiu cerca de 11%, influenciado principalmente pela valorização do real e pelo fato de os pagamentos de vencimentos terem superado novas captações. Mesmo assim, o Tesouro Nacional realizou emissões no exterior que somaram US$ 10,8 bilhões em 2025, o maior volume em duas décadas.
Por outro lado, o endividamento do sistema bancário apresentou crescimento significativo no último ano, com alta de 32%. Já o setor público registrou aumento de 7,7% no mesmo período.
Analistas avaliam que, apesar da expansão da dívida, não há risco imediato de insolvência para o país. Isso porque o Brasil ainda mantém reservas internacionais superiores ao total da dívida externa. No entanto, a diferença entre esses dois indicadores diminuiu consideravelmente nos últimos anos. Se há cerca de uma década a margem positiva superava US$ 67 bilhões, atualmente ela está abaixo de US$ 10 bilhões.
Outro fator que pressiona as contas externas é o crescimento do déficit nas transações correntes, que saltou de US$ 27,1 bilhões em 2023 para US$ 69 bilhões no ano passado. Economistas apontam que despesas com serviços digitais e investimentos em criptoativos estão entre os elementos que contribuem para o aumento desse desequilíbrio.
Mesmo diante desse cenário, os investimentos estrangeiros diretos continuam entrando no país. Em 2025, o volume alcançou US$ 77,7 bilhões. A projeção de especialistas é que o déficit em conta corrente diminua gradualmente ao longo dos próximos anos, podendo chegar a cerca de US$ 60 bilhões em 2030.
No caso das empresas privadas, especialistas observam que boa parte das dívidas externas está associada a companhias que possuem receitas em moeda estrangeira, o que ajuda a reduzir o risco de impacto direto de variações cambiais sobre suas contas.