O Banco de Brasília deve avançar, nos próximos dias, em sua estratégia para reforçar o capital por meio da criação de um fundo imobiliário. A instituição aguarda a conclusão da avaliação de nove imóveis que poderão ser utilizados como garantia em uma operação de captação de recursos no mercado.
O levantamento, encomendado a uma empresa privada, será utilizado como base para estruturar um Fundo de Investimento Imobiliário, que deve ser apresentado a investidores qualificados em um road show previsto para ocorrer em centros como Brasília e São Paulo. A iniciativa está respaldada pela Lei nº 7.845/2026, que autoriza a captação de até R$ 6,6 bilhões com base nesses ativos.
Segundo o presidente do banco, Nelson de Souza, há incertezas sobre o interesse do mercado em alguns dos imóveis, como o Centrad e a área da Serrinha do Paranoá, que enfrentam questões jurídicas e ambientais consideradas sensíveis.
Paralelamente, o banco negocia com o Banco Central a ampliação do prazo para apresentação de balanços pendentes e do plano de reestruturação. A expectativa é que o período seja estendido até o fim de junho, o que daria mais tempo para a instituição estruturar a operação e buscar investidores.
A direção do banco também avalia alternativas para fortalecer o caixa, como a securitização de ativos e a captação de recursos junto ao Fundo Garantidor de Crédito e outras instituições financeiras. O objetivo é garantir liquidez e manter indicadores de solidez dentro dos parâmetros exigidos.
Um dos principais pontos de atenção é o Índice de Basileia, que mede a relação entre o capital do banco e os riscos de suas operações. O indicador fechou 2024 em 12,94%, considerado adequado, mas que exige monitoramento diante dos desafios enfrentados pela instituição.
A assembleia-geral extraordinária que discutirá o aumento de capital ainda será remarcada. A proposta prevê a emissão de novas ações, o que pode elevar o capital social do banco para até R$ 11,2 bilhões.
O cenário também é acompanhado por pressões políticas. Um pedido de bloqueio de bens do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e da vice-governadora Celina Leão foi apresentado ao Banco Central por iniciativa do senador Izalci Lucas. A solicitação está relacionada às dificuldades enfrentadas pelo banco após operações com o Banco Master.