Novo Desenrola prevê restrição a crédito para conter endividamento

Programa em elaboração deve exigir contrapartidas e incentivar renegociação com descontos de até 90%

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma nova versão do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0, que deve incluir mecanismos para restringir o acesso a determinadas linhas de crédito por beneficiários, como forma de evitar o reendividamento.

Foto: Reprodução
Programa deve ampliar renegociação e impor limites ao uso de crédito caro

Em fase final de elaboração, a proposta prevê que pessoas atendidas pelo programa assumam compromissos para não contrair novas dívidas consideradas mais onerosas, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. A medida busca não apenas reduzir o passivo atual das famílias, mas também alterar padrões de uso do crédito no país.

Dados recentes do Banco Central do Brasil indicam que os juros médios do crédito rotativo chegaram a 436% ao ano em fevereiro, um dos principais fatores de agravamento do endividamento.

Assim como na primeira edição do programa, o foco permanece na renegociação de dívidas, com expectativa de descontos que podem chegar a até 90%. Para viabilizar essas condições, o governo estuda o uso de fundos públicos como garantia, reduzindo o risco para as instituições financeiras e incentivando a adesão dos bancos.

A iniciativa responde a uma preocupação recorrente do Planalto com o alto nível de endividamento das famílias brasileiras. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já sinalizou que o problema também envolve fatores estruturais relacionados ao comportamento de consumo e ao uso do crédito.

A expectativa é que o novo programa seja lançado nos próximos dias, por meio de medida provisória, complementada por decretos e portarias.

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