Alta do gás pressiona programa federal e ameaça distribuição gratuita

Disparada do GLP eleva custos e leva revendedores a cogitar saída da iniciativa

O aumento recente no preço do gás de cozinha tem colocado em risco a continuidade do programa federal Gás do Povo, voltado à distribuição gratuita de GLP para cerca de 50 milhões de brasileiros, em meio a pressões do setor e ao cenário eleitoral.

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
Alta no preço do gás pressiona programa voltado à população de baixa renda

Lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como principal aposta na área de energia, o programa enfrenta dificuldades operacionais diante da alta nos custos do combustível. Representantes de distribuidoras e revendedores alertam que a elevação dos preços compromete a viabilidade financeira da iniciativa.

A escalada nos valores está ligada ao cenário internacional, com tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã impactando o mercado global de energia. No Brasil, um leilão recente da Petrobras registrou preços significativamente acima dos contratos tradicionais, com reflexo direto no custo do GLP repassado ao mercado.

Embora o governo tenha sinalizado a intenção de anular o leilão, o produto já havia sido distribuído, e os aumentos chegaram aos consumidores e revendedores. Pelas regras do programa, no entanto, não há previsão de reajuste nos valores pagos aos participantes, o que reduz margens e gera prejuízos.

Segundo entidades do setor, parte dos revendedores avalia deixar o programa caso não haja revisão dos parâmetros. A iniciativa tem custo estimado em mais de R$ 5 bilhões neste ano e depende da adesão da rede de distribuição para alcançar os beneficiários.

Diante da pressão, o governo anunciou uma subvenção temporária ao GLP importado, com duração inicial de dois meses, como forma de conter os impactos da alta internacional. Especialistas apontam, porém, que a volatilidade recente pode exigir mudanças mais estruturais na política de preços.

A discussão ocorre a poucos meses das eleições presidenciais, ampliando o peso político do programa, que atende famílias de baixa renda e integra a estratégia do governo para mitigar os efeitos da inflação sobre itens essenciais.

Leia também