O endividamento no cartão de crédito voltou a crescer no Brasil e já se aproxima de R$ 400 bilhões, impulsionado pelo uso do rotativo — modalidade com juros elevados que hoje atinge cerca de 40 milhões de pessoas.
Dados do Banco Central mostram que o crédito rotativo, usado quando o cliente não paga o valor total da fatura, se expandiu após a pandemia e atingiu níveis recordes em 2025.
Ao todo, cerca de 101 milhões de brasileiros utilizam cartão de crédito. Desse total, quase 40 milhões estão com dívidas no rotativo, considerado o tipo de crédito mais caro do mercado. A taxa de juros chegou a 436% ao ano, o que dificulta a quitação e contribui para o aumento da inadimplência.
Segundo o Banco Central, mais da metade dos valores emprestados nessa modalidade não é paga. Isso ocorre porque muitos consumidores acabam recorrendo ao rotativo de forma frequente, não apenas em situações emergenciais.
Para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o uso recorrente desse tipo de crédito indica um problema estrutural. Ele afirma que parte da população passou a depender dessas linhas como complemento de renda.
O crescimento das dívidas ocorre após o fim de auxílios pagos durante a pandemia e em um cenário de inflação ainda pressionando o orçamento das famílias. Nesse período, o volume de crédito no rotativo praticamente dobrou.
Diante desse cenário, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda medidas para reduzir o endividamento. Entre elas, está a criação de um programa para renegociar dívidas com descontos nos juros e a possibilidade de usar parte do FGTS para pagamento.
As propostas estão em análise e ganham peso em um ano eleitoral, diante do impacto direto do endividamento no consumo e na renda das famílias.