Itaipu prevê tarifa menor de energia a partir de 2027

Negociações entre Brasil e Paraguai devem redefinir custos da usina binacional

O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri, afirmou que a tarifa da energia gerada pela usina binacional deve ser reduzida a partir de 2027, após a revisão do tratado entre Brasil e Paraguai.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Negociações entre Brasil e Paraguai podem reduzir tarifa de energia de Itaipu a partir de 2027

As negociações envolvem a atualização do Anexo C do Tratado de Itaipu, firmado em 1973, que define as bases financeiras e regras de comercialização da energia produzida pela hidrelétrica. A revisão ocorre após o marco de 50 anos do acordo original.

Segundo Enio Verri, a expectativa é que o novo valor da tarifa seja anunciado até o fim de dezembro, com vigência a partir do próximo ano. Ele afirmou que a tendência é de que a energia comercializada pelo lado brasileiro seja a mais barata do país no novo ciclo tarifário.

Atualmente, o custo unitário dos serviços de eletricidade da usina é de US$ 19,28 por quilowatt/mês, mas a tarifa paga pelas distribuidoras brasileiras é inferior, em US$ 17,66, graças a um aporte financeiro da própria Itaipu para reduzir o valor final ao consumidor.

Essa estrutura tarifária temporária vale até o fim de 2026, quando Brasil e Paraguai devem concluir a nova modelagem de preços. O tema também envolve interesses distintos: enquanto o Brasil busca energia mais barata, o Paraguai defende maior valorização da venda de sua cota.

A usina binacional divide igualmente a produção entre os dois países, mas o Paraguai não consome toda a energia a que tem direito e depende da comercialização do excedente como fonte de receita.

Além da questão tarifária, Itaipu passa por um processo de modernização tecnológica estimado em US$ 900 milhões, com conclusão prevista para 2035. O projeto inclui atualização de sistemas eletrônicos, centros de controle e subestações, sem interferir nas estruturas principais da barragem e turbinas.

Há ainda estudos em andamento sobre possível aumento da capacidade de geração, incluindo a instalação de novas turbinas ou ganho de eficiência nas unidades atuais.

A usina é uma das maiores do mundo em capacidade instalada e responde por parcela significativa do fornecimento de energia do Brasil e do Paraguai.

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