A redução da jornada semanal de trabalho deve ganhar novo impulso nesta sexta-feira (17), com uma reunião entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. O encontro, marcado para ocorrer durante café da manhã na residência oficial da presidência da Câmara, tem como foco destravar a tramitação do projeto de lei enviado pelo governo federal, que propõe reduzir a carga horária dos trabalhadores para 40 horas semanais. A medida é vista como uma das prioridades do Executivo neste momento e pode se tornar uma pauta central no Congresso nas próximas semanas.
Protocolado em regime de urgência, o Projeto de Lei 1838/26 ainda aguarda despacho da presidência da Câmara. Apesar disso, Hugo Motta já sinalizou que pretende priorizar o andamento da Proposta de Emenda à Constituição que trata do mesmo tema e já tramita na Comissão de Constituição e Justiça. A escolha indica uma disputa de protagonismo entre Planalto e Câmara, já que ambos buscam liderar o debate sobre uma pauta de forte apelo popular e eleitoral, especialmente às vésperas do Dia do Trabalhador.
O governo tenta convencer a Câmara a acelerar a análise do projeto de lei, enquanto enfrenta resistência da oposição e divergências internas sobre a forma de implementação da nova jornada. José Guimarães afirmou que o Executivo está disposto a negociar pontos como regras de transição, mas rejeita discutir medidas compensatórias para empresas. A posição contrasta com a de parlamentares da oposição, que defendem incentivos para minimizar impactos econômicos da redução da carga horária. O tema também provocou adiamento nas discussões sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos, diante da falta de consenso entre empresas e trabalhadores.
A reunião entre Hugo Motta e José Guimarães deve definir os próximos passos da tramitação e estabeleça qual proposta terá prioridade na Câmara. Enquanto o governo aposta na aprovação rápida do projeto, a presidência da Casa defende um debate mais amplo por meio da PEC, ouvindo diferentes setores antes da votação. O desfecho dessa articulação política será decisivo para determinar se a redução da jornada de trabalho avançará ainda neste semestre e de que forma será implementada no país.