O dólar caiu 0,18% na sexta-feira (17) e encerrou a semana cotado a R$ 4,98, o menor valor do ano. Os investidores reagiram positivamente à possibilidade de Estados Unidos e Irã chegarem a um acordo de paz ao longo do final de semana. É o menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024, e a moeda chegou a recuar quase 0,80% ao longo do dia, atingindo a mínima de R$ 4,95, mas perdeu força no fim do pregão.
O gatilho foi externo. O alívio nos gargalos do Estreito de Ormuz, via marítima no centro da crise energética causada pela guerra no Oriente Médio, desencadeou um tombo de mais de 10% nos preços do petróleo Brent, referência internacional, enfraquecendo a moeda norte-americana globalmente. No acumulado do mês, a moeda americana já recua 3,77% frente ao real, e no ano as perdas chegam a quase 9%.
No mercado doméstico, o movimento tem desdobramentos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal já finalizou um plano de renegociação de dívidas para famílias e empresas, que será anunciado em breve e não envolverá aumento de gastos primários. Quanto aos juros, o mercado projeta que o Banco Central corte a Selic em apenas 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, mantendo a taxa básica próxima dos 14,75% ao ano, patamar que ainda pesa no crédito e no consumo das famílias.
O que muda para o consumidor ?
A queda do dólar tende a reduzir, com alguma defasagem, o preço de produtos importados e de insumos industriais atrelados à moeda, de eletrônicos a combustíveis, passando por peças de reposição e alimentos processados com ingredientes importados. Para o produtor rural, o efeito é dúbio. Exportações de soja e algodão, setores em expansão no estado do Piauí, ficam menos rentáveis em reais com o câmbio mais valorizado, enquanto o custo de defensivos e máquinas importadas cai.