A reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã provocou uma queda expressiva no preço internacional do petróleo nesta sexta-feira (17), trazendo expectativas positivas para o mercado brasileiro. O barril do petróleo Brent, referência global, recuou cerca de 10%, passando a ser negociado a US$ 89,43. O movimento ocorre após o anúncio de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos e representa um alívio diante da escalada de preços registrada desde o início do conflito no Oriente Médio. Para o Brasil, a redução pode significar combustíveis menos caros e menor pressão inflacionária nas próximas semanas.
O impacto mais imediato tende a ser sentido no diesel, combustível essencial para o transporte de mercadorias e para o escoamento da produção agrícola nacional. O governo federal vinha adotando medidas emergenciais para conter a alta, como subsídios e redução de impostos, mas enfrentava dificuldades na adesão de grandes distribuidoras. Com a queda no preço do petróleo no mercado internacional, a tendência é que os custos de importação diminuam, ajudando a amenizar o preço nas bombas e reduzindo a necessidade de novas intervenções públicas no setor.
O recuo do barril também contribui para melhorar o ambiente econômico. A redução da tensão internacional fortaleceu o real frente ao dólar e impulsionou a confiança dos mercados, o que pode beneficiar setores como transporte aéreo e logística. No entanto, especialistas alertam que a redução nos preços não chega de forma imediata ao consumidor final, podendo levar semanas até ser percebida no abastecimento e nas tarifas, devido à dinâmica de repasse do setor.
Mesmo com o alívio nos combustíveis, a queda do petróleo também traz um efeito ambíguo para o Brasil. Como o país se tornou exportador líquido de petróleo nos últimos anos, preços mais altos fortalecem a balança comercial e aumentam as receitas com exportações.Embora baixa ajude no controle da inflação e reduza custos internos, ela pode diminuir parte das receitas externas geradas pelo setor petrolífero.