Modelo de venda de energia perde força e expõe fragilidades

Inadimplência e baixa transparência indicam limites do formato atual

O modelo tradicional de comercialização de energia no Brasil dá sinais claros de esgotamento, diante do aumento da inadimplência, da perda de liquidez e da falta de transparência nas relações entre agentes do setor.

Foto: Giorgio Manenti, via Unsplash
Modelo atual de energia enfrenta perda de confiança e liquidez

A estrutura vigente, baseada majoritariamente em contratos bilaterais, já não acompanha a complexidade e a volatilidade do mercado elétrico. O formato, que funcionou em um ambiente mais previsível, passou a gerar desequilíbrios na distribuição de riscos e insegurança entre consumidores e geradores.

O avanço de casos de empresas incapazes de honrar contratos reforça a percepção de fragilidade sistêmica. No setor, cresce a avaliação de que não se trata mais de ocorrências isoladas, mas de um modelo que deixou de responder às exigências atuais.

A baixa transparência na formação de preços e nas exposições contratuais também contribui para a deterioração da confiança. Consumidores enfrentam dificuldade para compreender seus riscos, enquanto geradores lidam com pressões decorrentes da falta de liquidez, alimentando um ciclo de desalinhamento.

Nesse contexto, o papel das comercializadoras, historicamente responsáveis pela intermediação entre oferta e demanda, tende a se transformar. O modelo centrado na intermediação pura perde espaço à medida que se mostra incapaz de oferecer soluções eficientes para os desafios do mercado.

A tendência é de uma reconfiguração estrutural nos próximos anos. Entre os principais vetores estão o aumento da transparência, a adoção de contratos mais flexíveis, o desenvolvimento de plataformas estruturadas com múltiplos agentes e maior protagonismo dos consumidores na gestão de energia.

Especialistas apontam que o mercado livre deve continuar a crescer, mas sob uma lógica diferente da atual. A permanência do modelo vigente, sem ajustes, pode ampliar problemas como judicialização, inadimplência e perda de confiança.

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