Veto da UE ameaça quase US$ 2 bilhões em exportações de carne do Brasil

Bloco europeu excluiu país de lista sanitária por uso de antimicrobianos na pecuária

A exclusão do Brasil da lista sanitária da União Europeia pode colocar em risco quase US$ 2 bilhões em exportações brasileiras de carnes e produtos de origem animal. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (12) e passa a valer a partir de setembro.

Foto: Reprodução
União Europeia ameaça suspender compras bilionárias de carnes brasileiras.
O bloco europeu informou que o Brasil deixou de atender às exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Sem a autorização sanitária, o país poderá perder acesso a um dos principais mercados para proteínas animais.

Em 2025, a União Europeia importou 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros do setor, movimentando cerca de US$ 1,8 bilhão, segundo dados do Ministério da Agricultura.

A carne bovina representa a maior fatia das exportações ao mercado europeu em valor. No ano passado, o produto gerou US$ 1,048 bilhão em vendas ao bloco. Já a carne de frango respondeu por US$ 762 milhões. Produtos como mel, ovos, peixes e equinos também podem ser afetados.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que determinados antimicrobianos proibidos pela legislação europeia deixaram de ser usados durante o ciclo de criação animal.

Entre as substâncias apontadas estão medicamentos utilizados como promotores de crescimento na pecuária. Parte deles já foi proibida pelo governo brasileiro neste ano, mas outras exigências ainda precisam ser cumpridas para que o país volte à lista de exportadores autorizados.

Especialistas avaliam que a retomada das exportações dependerá da adoção de medidas mais rígidas de rastreabilidade e certificação sanitária, o que pode elevar custos para produtores e frigoríficos.

A decisão ocorre poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, embora especialistas afirmem que a medida tem caráter sanitário e não esteja ligada diretamente ao tratado.

O Brasil ainda pode reverter a situação caso comprove adequação às exigências europeias antes da entrada em vigor das restrições.

Leia também