As vendas do varejo brasileiro recuaram 3,6% em maio na comparação com o mesmo período do ano passado, registrando o pior resultado para o mês desde os efeitos da pandemia de covid-19. O desempenho, apontado pelo Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), reflete o impacto dos juros elevados, da inflação concentrada em despesas básicas e do orçamento mais apertado das famílias.
O resultado amplia a sequência de perdas observada ao longo do ano e representa a maior retração mensal desde março de 2025. Segundo a Cielo, o cenário econômico tem levado os consumidores a rever prioridades, concentrando os gastos em itens essenciais e adiando compras consideradas menos urgentes.
A mudança de comportamento atingiu diferentes segmentos da economia. O setor de serviços apresentou a maior queda, impulsionada principalmente pela redução da demanda por turismo e transporte. A alta acumulada das passagens aéreas nos últimos 12 meses também contribuiu para o enfraquecimento do consumo.
Bares e restaurantes, além de setores ligados a bens duráveis e semiduráveis, como vestuário, materiais de construção e artigos esportivos, também registraram desempenho negativo. Até mesmo áreas tradicionalmente mais resilientes, como supermercados, farmácias e drogarias, apresentaram retração real nas vendas.
O enfraquecimento da atividade foi disseminado pelo país. Todas as regiões brasileiras registraram queda, com destaque para o Centro-Oeste e o Sudeste. Entre os fatores adicionais que influenciaram o resultado estão diferenças no calendário em relação ao ano anterior e um impacto menor das vendas relacionadas ao Dia das Mães.
O ambiente macroeconômico segue como um dos principais desafios para a retomada do consumo. A inflação ainda pressiona itens essenciais, enquanto o elevado comprometimento da renda das famílias limita a capacidade de compra. Para as empresas, o custo do crédito e o avanço da inadimplência também dificultam a recuperação do setor.
A combinação desses fatores reforça um cenário de maior cautela entre consumidores e empresários, indicando que a retomada mais consistente do varejo dependerá de melhora nas condições de renda, inflação e acesso ao crédito.