O mercado financeiro voltou a elevar as projeções para os juros e a inflação no Brasil às vésperas da nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (15), a expectativa para a taxa Selic no fim de 2026 passou de 13,5% para 13,75% ao ano, enquanto a previsão para o IPCA avançou para 5,3%.
A revisão representa a segunda alta consecutiva nas estimativas para os juros e ocorre em meio à persistência das pressões inflacionárias sobre a economia brasileira. O levantamento reúne projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país.
Apesar da elevação da estimativa para o fechamento do ano, a expectativa predominante é de manutenção da Selic em 14,5% ao ano na reunião do Copom marcada para esta terça-feira (16) e quarta-feira (17). Na decisão anterior, o Banco Central reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, dando sequência ao ciclo de cortes iniciado após a desaceleração da inflação.
No entanto, o agravamento das tensões no Oriente Médio e seus reflexos sobre os preços internacionais do petróleo voltaram a pressionar os custos de combustíveis e alimentos, influenciando as projeções para os índices de preços no Brasil.
A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,11% para 5,3%, registrando a 14ª semana consecutiva de alta. O percentual supera o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Em maio, a inflação oficial ficou em 0,58%, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos. No acumulado de 12 meses, o IPCA atingiu 4,72%, permanecendo acima do limite superior da meta.
As projeções do mercado indicam ainda que a Selic deverá encerrar 2027 em 12% ao ano, recuar para 10,25% em 2028 e atingir 10% em 2029. Para a inflação, as expectativas são de 4,1% em 2027, 3,68% em 2028 e 3,5% em 2029.
Em relação ao desempenho da economia, os analistas elevaram de 1,91% para 1,96% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Para os anos seguintes, a expectativa é de expansão de 1,7% em 2027 e de 2% em 2028 e 2029.
O boletim Focus também manteve praticamente estáveis as projeções para o câmbio. A expectativa é de que o dólar encerre este ano cotado a R$ 5,20 e alcance R$ 5,25 ao final de 2027.