Exclusivo: PCC lavou dinheiro da farra do INSS no Piauí

“Lavanderia” do PCC recebeu R$ 33 milhões da Farra do INSS

Um fluxo financeiro de R$ 33.127.323,65 em apenas seis meses conecta o escândalo conhecido como “Farra do INSS” a uma empresa investigada por suposta atuação como estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no Piauí.

Foto: SSP-PI/Divulgação
Operação Carbono Oculto, PCC do Piauí lavou grana dos esquemas do INSS

Os repasses foram realizados pela Solução Serv e Tecnologia LTDA para a Pima Energia Cegonha LTDA, entre novembro de 2024 e abril de 2025. A Solução é uma das pessoas jurídicas vinculadas a Natjo de Lima Pinheiro, que ocupou os cargos de presidente e tesoureiro da Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas (CAAP).

A CAAP é uma das entidades investigadas por aplicar descontos associativos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por meio de acordos de cooperação técnica. As apurações indicam que milhares de beneficiários teriam sofrido cobranças sem autorização formal.

Foto: Reprodução
CPMI do INSS pede quebra de sigilo bancário e fiscal de Haran Santhiago Girao Sampaio por movimentações entre 2017 e 2025.

Já a Pima Energia Cegonha LTDA figura como um dos CNPJs associados à rede de postos HD, no Piauí. Em novembro do ano passado, dezenas de unidades do grupo foram alvo de ações das Polícias Civil e Militar durante a Operação Carbono Oculto 86, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC por meio do setor de combustíveis.

O caminho do dinheiro

Segundo dados já tornados públicos em requerimentos da CPMI do INSS, a Solução Serv e Tecnologia LTDA aparece no centro do circuito financeiro suspeito. A empresa, ligada a Natjo, teria recebido recursos provenientes do esquema dos descontos associativos e, posteriormente, transferido o montante milionário para a Pima Energia.

Foto: Reprodução
CPMI do INSS pede quebra de sigilo bancário e fiscal da empresa Pima Energia Cegonha por suspeitas de irregularidades entre 2017 e 2025.

A magnitude das transferências — mais de R$ 33 milhões em meio ano — chama atenção pelo volume e pela rapidez das movimentações, levantando questionamentos sobre a origem, destinação e finalidade dos recursos.

Investigadores buscam esclarecer se houve compatibilidade entre o faturamento declarado das empresas e o fluxo financeiro identificado, além de eventual conexão entre as fraudes contra aposentados e estruturas empresariais utilizadas para ocultação e circulação de capital.

Operação Carbono Oculto 86

A Carbono Oculto 86 foi deflagrada com foco na apuração de crimes financeiros e possível lavagem de dinheiro por meio da comercialização de combustíveis. A rede HD teria sido utilizada, segundo as investigações, como engrenagem para dar aparência lícita a recursos de origem ilícita.

O cruzamento entre os valores oriundos da “Farra do INSS” e empresas investigadas na operação amplia o escopo das apurações e reforça a hipótese de que os recursos desviados de aposentados possam ter sido integrados a um circuito financeiro mais amplo.

Investigações em curso

As autoridades ainda apuram responsabilidades individuais e empresariais. Até o momento, não há condenação definitiva relacionada aos fatos descritos, e os citados são considerados investigados no âmbito dos procedimentos oficiais.

Foto: reprodução/PF
Operação Carbono oculto, deflagrada no início de setembro, desmantelou esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis

O caso, no entanto, evidencia um ponto sensível: o possível entrelaçamento entre fraudes contra beneficiários da Previdência Social e estruturas empresariais sob suspeita de operar como mecanismo de lavagem de dinheiro.

Se confirmadas as conexões, o escândalo deixará de ser apenas um caso de descontos indevidos para se transformar em um dos mais graves episódios de desvio de recursos previdenciários com repercussão no crime organizado.

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