Debate sobre fim da escala 6x1 destaca impacto da jornada na vida das mulheres

Proposta de semana com dois dias de folga pode reduzir dupla jornada feminina

O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um, ganhou força no Brasil e pode trazer impactos diretos para a vida das mulheres. A proposta defendida pelo Governo Federal do Brasil prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com adoção do modelo 5x2, garantindo dois dias de descanso. A discussão envolve trabalhadores, empregadores e o Congresso Nacional do Brasil e tem como objetivo ampliar o tempo de lazer, descanso e convívio familiar.

Foto: Marla Galdino/Divulgação/Ministério das Mulheres

Para muitas trabalhadoras, a mudança pode aliviar o peso da chamada dupla jornada. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, destaca que o modelo atual recai de forma mais intensa sobre as mulheres, que além do trabalho formal costumam assumir a maior parte das tarefas domésticas. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que mulheres dedicam em média 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados com pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Denise Ulisses

A realidade é sentida no cotidiano de muitas trabalhadoras. A cobradora de ônibus Denise Ulisses, de 46 anos, que trabalha há 15 anos na escala 6x1 no Distrito Federal, relata que conciliar emprego e cuidados com a família sempre foi um desafio. Já a auxiliar de serviços gerais Tiffane Raane afirma que precisa pagar uma cuidadora para ficar com o filho enquanto trabalha. A rotina intensa também a levou a interromper a faculdade de educação física, evidenciando como a carga de trabalho pode impactar estudos e oportunidades de crescimento profissional.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tiffane Raany

Apesar do apoio popular, pesquisa da Nexus indica que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, setores empresariais demonstram preocupação com os custos da mudança. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) afirmam que a medida pode elevar despesas das empresas e impactar empregos. Por outro lado, estudos do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas indicam que a redução da jornada pode gerar milhões de novos postos de trabalho e melhorar a produtividade, mantendo o tema no centro do debate nacional.

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