Acionistas aprovam aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para o BRB

Medida tenta recompor patrimônio e reforçar estrutura financeira após operações investigadas pela PF

O Banco de Brasília (BRB) aprovou, nesta quarta-feira (22), um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, em decisão tomada por acionistas durante assembleia geral extraordinária. A medida ocorre em meio aos impactos financeiros decorrentes das operações do banco com o Banco Master, alvo de investigações e liquidado pelo Banco Central no fim de 2025.

Foto: Agência Brasil

A capitalização tem como objetivo recompor o patrimônio da instituição e reforçar sua estrutura financeira, após prejuízos associados à aquisição de ativos do Master. Segundo informações divulgadas pelo próprio banco e confirmadas por relatórios de mercado, o aumento pode variar de um aporte mínimo de R$ 536 milhões até o teto aprovado de R$ 8,8 bilhões, elevando o capital social do BRB para até R$ 11,1 bilhões, dependendo da adesão dos acionistas. 

A decisão também está vinculada a uma estratégia mais ampla de reestruturação. Dois dias antes, o banco havia firmado um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para criação de um fundo de investimento estimado em R$ 15 bilhões, destinado a abrigar ativos relacionados às transações com o Banco Master. Parte dos recursos - até R$ 4 bilhões - deve ser aportada em dinheiro, enquanto o restante será convertido em cotas subordinadas do fundo. 

As operações com o Banco Master estão no centro da crise enfrentada pelo BRB. O banco médio foi liquidado pelo Banco Central após suspeitas sobre a qualidade de seus ativos, o que impactou diretamente a instituição do Distrito Federal, que havia adquirido carteiras de crédito e outros ativos vinculados ao Master. O episódio também ganhou dimensão criminal. No início de abril, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sob suspeita de receber propina em negociações que favoreceriam o Banco Master. O empresário Daniel Vorcaro, ligado ao banco liquidado, também foi preso. As defesas negam irregularidades.

Além da recomposição financeira, o aumento de capital é visto como etapa necessária para manter o banco dentro dos limites regulatórios exigidos pelo Banco Central e evitar sanções. Há, porém, desafios para viabilizar o aporte, já que o governo do Distrito Federal, acionista majoritário, precisará estruturar fontes de financiamento — incluindo possíveis empréstimos, para sustentar a operação. 

Leia também