A tensão entre Irã e Israel ganhou novos contornos nesta segunda-feira (8), após o governo iraniano ameaçar atingir infraestruturas energéticas de países da região caso continuem os ataques israelenses contra instalações ligadas ao setor de energia em território iraniano.
A advertência foi divulgada por uma agência próxima à Guarda Revolucionária do Irã. Segundo a publicação, novos ataques contra estruturas energéticas iranianas poderão resultar em ações contra ativos ligados a Israel, aos Estados Unidos e a países considerados parceiros dos dois governos.
Ainda de acordo com a fonte, empresas do setor de petróleo e energia que atuam na região e possuam participação de investidores norte-americanos ou israelenses também poderão ser consideradas alvos.
As declarações ocorreram após veículos de comunicação iranianos informarem que Israel atingiu o complexo petroquímico de Karun, localizado na cidade portuária de Mahshahr, na província de Khuzestan, no sudoeste do país. A instalação é uma das principais produtoras de etileno do Irã e tem papel relevante na indústria petroquímica nacional.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram focos de incêndio e fumaça no local após o ataque.
Pouco depois, a Guarda Revolucionária informou ter realizado uma ação contra instalações petroquímicas em Haifa, importante centro industrial de Israel. A cidade abriga a maior refinaria do país, além de terminais de armazenamento e diversas indústrias químicas.
Autoridades e especialistas alertam que ataques a áreas industriais desse porte representam riscos à população e ao meio ambiente devido à presença de substâncias inflamáveis e produtos químicos.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou que os alvos israelenses possuíam características semelhantes às instalações atingidas no Irã e acusou Israel de colocar em risco infraestruturas civis ligadas ao setor energético.
Paralelamente, as Forças Armadas israelenses anunciaram ataques contra objetivos militares localizados no oeste e no centro do Irã. As operações ocorreram após o lançamento de mísseis iranianos em resposta a ações israelenses realizadas anteriormente nos arredores de Beirute, no Líbano.
No campo diplomático, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, voltou a responsabilizar os Estados Unidos pelo apoio a Israel. Segundo ele, as operações israelenses não ocorreriam sem coordenação com Washington.
Baghaei declarou ainda que o Irã continuará exercendo o direito de autodefesa previsto pela Carta das Nações Unidas sempre que considerar necessário.
Durante entrevista coletiva, o representante iraniano também sinalizou pela primeira vez a possibilidade de discutir, em futuras negociações, o estoque de urânio enriquecido mantido pelo país. O tema vinha sendo tratado por Teerã como assunto fora das conversas diplomáticas.
O porta-voz negou relatos de um suposto ataque iraniano contra uma base aérea na Arábia Saudita e criticou a atuação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), acusando o órgão de agir de forma parcial em relação ao programa nuclear iraniano.