Esquema clandestino em oleoduto furta mais de 100 mil litros de combustível

Suspeitos usavam túnel e estrutura montada às margens da BR-070.

A Polícia Civil do Distrito Federal intensifica as investigações para descobrir o destino de 100 mil litros de combustível furtados de um oleoduto da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em Ceilândia. O volume desviado em apenas uma semana equivale ao abastecimento mensal de um posto de combustíveis de pequeno porte ou à carga de aproximadamente quatro caminhões-tanque.

Foto: Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
Volume foi desviado em apenas uma semana

A operação que revelou o esquema, denominada Estige, foi deflagrada na última sexta-feira. Segundo os investigadores da 19ª Delegacia de Polícia (P Norte), os suspeitos montaram uma estrutura clandestina considerada sofisticada para acessar a tubulação subterrânea e retirar gasolina e diesel sem chamar atenção.

Embora a polícia já tenha identificado a forma utilizada para acessar o oleoduto, a principal dúvida permanece sem resposta: para onde foram os milhares de litros de combustível desviados.

Os indícios apontam para a existência de um mercado clandestino de combustíveis operando fora da cadeia formal de distribuição. Para os investigadores, a descoberta do imóvel utilizado pelos suspeitos e a prisão dos envolvidos podem representar apenas uma parte da operação criminosa.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), Paulo Roberto Correa Tavares, classificou o caso como preocupante. Segundo ele, caso todo o combustível furtado seja diesel, o prejuízo financeiro pode alcançar R$ 750 mil.

De acordo com o representante do setor, o Distrito Federal recebe cerca de 90% dos combustíveis provenientes de refinarias do interior de São Paulo, distribuídos principalmente por grandes empresas. Na avaliação dele, é improvável que distribuidoras de grande porte estejam envolvidas na compra de produtos de origem ilícita.

Paulo Roberto acredita que o combustível possa ter sido direcionado para pequenas distribuidoras ou comercializado de forma irregular. Ele explica que o diesel e a gasolina precisam passar por processos específicos de mistura antes de chegarem legalmente aos postos de abastecimento.

Outra possibilidade considerada é a venda direta de diesel para caminhoneiros ou consumidores que não exigem nota fiscal. Como o combustível furtado costuma ser oferecido abaixo do preço praticado no mercado, os criminosos encontram facilidade para comercializá-lo.

Além do prejuízo econômico, especialistas alertam para os riscos provocados pela retirada clandestina do combustível. Qualquer falha durante a perfuração do duto ou no processo de transferência pode provocar vazamentos, incêndios ou explosões.

Após a descoberta do esquema, a Defesa Civil interditou temporariamente duas residências próximas ao local por risco de explosão. No entanto, após avaliações técnicas e a conclusão dos reparos, o órgão informou que não há mais ameaça iminente à população e que o oleoduto voltou a operar normalmente.

As investigações também revelaram detalhes sobre a atuação dos suspeitos. O imóvel utilizado pelo grupo, localizado às margens da BR-070, foi alugado sob a alegação de que funcionaria como uma oficina mecânica. Durante cerca de três meses, os investigados frequentaram o local principalmente no período noturno.

Segundo a polícia, após perfurarem o duto e instalarem uma válvula de controle, os criminosos utilizavam mangueiras de alta pressão para retirar o combustível. O produto era armazenado em galões e caixas d’água antes de ser transportado em caminhonetes.

A Transpetro informou que concluiu os reparos no trecho afetado do Oleoduto São Paulo-Brasília (Osbra) e destacou que atua em conjunto com as autoridades de segurança para combater esse tipo de crime. A empresa afirmou ainda que não houve impacto no abastecimento de combustíveis na região.

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