Pela primeira vez, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) colocou em prática o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição. A ação foi executada neste domingo (7) com o objetivo de evitar desequilíbrios no Sistema Interligado Nacional (SIN) provocados pelo excesso de geração de energia em relação ao consumo.
A determinação foi comunicada aos agentes do setor elétrico no sábado (6). O ONS orientou a redução da geração em grandes usinas, especialmente hidrelétricas, em até 1.000 megawatts (MW) no total. Também foi solicitado às distribuidoras que diminuíssem a produção de energia em usinas conectadas às redes de distribuição sob sua responsabilidade.
O plano foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2025 e foi desenvolvido para situações em que a demanda por energia fica abaixo do esperado, cenário comum durante fins de semana prolongados, feriados e períodos de deslocamento da população para cidades menores ou áreas turísticas.
Outro fator considerado pelo setor é a crescente participação da geração solar distribuída, especialmente por meio de painéis instalados em residências e empresas. Em dias de forte incidência solar e menor consumo, o volume de energia injetado na rede pode superar a demanda, exigindo medidas de controle para preservar a estabilidade do sistema.
A criação do plano ocorreu após episódios registrados em 2025 que colocaram o sistema elétrico em situação delicada. Um dos casos mais relevantes aconteceu durante o Dia dos Pais, em agosto do ano passado, quando foram necessárias ações emergenciais para equilibrar geração e consumo e manter a segurança operacional da rede.
Em nota, o ONS informou que a operação transcorreu conforme o planejado e destacou que acompanhou em tempo real as condições do sistema, coordenando as ações necessárias junto aos agentes do setor elétrico.
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) informou que as distribuidoras atenderam às determinações para redução da geração nas usinas conectadas às redes de distribuição. A entidade também anunciou que realizará uma análise técnica para avaliar os resultados e os impactos da aplicação do plano emergencial.