Eleições no Peru seguem indefinidas com apuração acirrada

Votos do exterior e rurais devem decidir presidente peruano

A corrida presidencial no Peru segue sem definição clara, com Roberto Sánchez e Keiko Fujimori separados por uma margem mínima de votos. Com 96% das urnas apuradas, Sánchez, candidato de esquerda, lidera com 50,07% dos votos válidos, enquanto Keiko soma 49,93%, representando uma diferença inferior a 27 mil votos.

A disputa agora se concentra nos votos pendentes das áreas rurais e do exterior. Sánchez espera consolidar sua liderança com os resultados das regiões andinas, onde a esquerda tradicionalmente tem mais apoio. Por outro lado, Keiko aposta nos votos dos peruanos residentes fora do país e nas atas eleitorais que ainda aguardam auditoria.

Expectativa pelos votos do exterior

Keiko Fujimori deposita suas esperanças nos eleitores peruanos no exterior, que representam cerca de 4,4% do eleitorado. Historicamente favoráveis à direita, esses votos podem ser decisivos para reverter a vantagem atual de Sánchez. No primeiro turno, Keiko já havia conquistado cerca de 52 mil votos desse grupo.

A contagem dos votos externos deve ser finalizada até quarta-feira, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Peru. Aproximadamente 300 mil eleitores da diáspora costumam participar das eleições.

Além disso, cerca de 1,5 mil atas eleitorais estão sob revisão pelos Júris Eleitorais Especiais. Essas atas poderiam adicionar até 300 mil votos à contagem final. Integrantes do partido de Keiko afirmam que uma parte significativa dessas atas provém de regiões onde ela teve melhor desempenho.

Com um histórico de derrotas por margens estreitas em eleições anteriores — cerca de 41 mil votos em 2016 e aproximadamente 44 mil em 2021 — Keiko enfrenta novamente um cenário incerto. Analistas destacam que o resultado final dependerá dos segmentos ainda não totalmente contabilizados: os eleitores rurais para Sánchez e os expatriados para Keiko.

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