Os fundos multimercados de estratégia macro se destacaram em maio ao investir fortemente no setor de tecnologia dos Estados Unidos. Este movimento acompanhou o expressivo desempenho das bolsas americanas, com o S&P 500 subindo 5,3% e o Nasdaq Composite avançando 8,9%. O segmento de tecnologia foi ainda mais longe, registrando um aumento de 16%.
No cenário nacional, o Adam Macro, da Adam Capital, liderou o ranking com uma valorização impressionante de 17,80% no mês, superando em muito o CDI, que teve alta de 1,07%. O Kapitalo Zeta também se destacou com um aumento de 2,97%, embora ambos os fundos tenham mostrado alta volatilidade.
O gestor da Adam Capital, Marcio Appel, atribuiu o sucesso do fundo a uma estratégia focada em ações específicas e na compra de tecnologia americana. Ele acredita que a inteligência artificial está concentrando capital nos EUA e que essa tendência fortalecerá ainda mais o dólar.
A volatilidade foi uma característica marcante dos fundos que mais renderam. O Adam Macro Master apresentou uma volatilidade anual de 12,69%, enquanto o Kapitalo Zeta registrou 13,27%. Esses números são consideravelmente superiores aos dos fundos com retornos mais modestos.
No entanto, nem todos os resultados foram positivos para a classe dos multimercados. Em maio, eles lideraram os resgates na indústria de fundos com uma saída líquida de R$ 6,4 bilhões. A captação negativa já dura quatro meses consecutivos.
A aposta no exterior não é exclusividade brasileira. Globais como os hedge funds monitorados pelo Goldman Sachs também têm aumentado suas exposições à inteligência artificial. O COO do Kapitalo Zeta, Bernardo Feijó, mantém otimismo quanto ao cenário americano e à IA.
Ainda assim, a classe enfrenta desafios significativos. O índice IHFA da Anbima cresceu apenas 0,62% em maio e teve uma queda em junho até o dia 10. Em meio à concorrência da renda fixa isenta e resgates expressivos desde 2022, os multimercados continuam lutando para atrair investidores.