Os resultados da segunda edição do Enade das Licenciaturas reacenderam o debate sobre a formação de professores no Brasil. Em artigo, o vice-presidente de operações parceiras do grupo Yduqs, Rodolfo Guimarães, afirma que os números divulgados precisam ser analisados levando em consideração as desigualdades educacionais do país e o perfil dos estudantes atendidos pelo ensino a distância (EaD).
Segundo o especialista, os dados que indicam que 42% dos concluintes não atingiram o padrão mínimo de proficiência não refletem, isoladamente, a realidade da educação brasileira. Ele destaca que boa parte dos alunos do EaD é formada por trabalhadores, responsáveis pelo sustento familiar e moradores de municípios com menor oferta de ensino superior. Para Guimarães, desconsiderar essas características ao analisar os resultados representa um equívoco estatístico e compromete a compreensão do cenário educacional.
O artigo também ressalta que a diferença de desempenho entre ensino presencial e EaD diminui significativamente quando são considerados fatores como idade dos estudantes e capital cultural das famílias. De acordo com o autor, estudos baseados nos microdados de edições anteriores do Enade mostram que a modalidade de ensino, por si só, explica menos de 1% da variação das notas, sendo o contexto socioeconômico dos alunos o principal fator para os resultados obtidos.
Rodolfo Guimarães ainda manifesta preocupação com a proposta em discussão que prevê aumentar de 30% para 50% a carga horária presencial mínima das licenciaturas, reduzindo a participação do ensino a distância. Na avaliação do executivo, a medida pode provocar aumento da evasão, queda nas matrículas e dificultar o acesso ao ensino superior em regiões mais afastadas. Para ele, o desafio da formação docente no Brasil passa por reduzir desigualdades e ampliar oportunidades, sem restringir as portas de entrada para novos professores.