A Bolívia registrou uma redução nos bloqueios de estradas que paralisavam parte do país após o governo do presidente Rodrigo Paz firmar um acordo com a Central Operária Boliviana (COB) e decretar estado de exceção em todo o território nacional. As medidas foram adotadas depois de quase 50 dias de protestos que provocaram desabastecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis em diversas regiões bolivianas.
O acordo foi anunciado na sexta-feira (19) e levou a principal central sindical do país a suspender as mobilizações. A COB classificou o entendimento como um passo para a retomada do diálogo e da normalidade, após semanas de manifestações motivadas pela crise econômica e por críticas às reformas propostas pelo governo.
Poucas horas depois, o governo decretou estado de exceção alegando que parte dos grupos mobilizados continuava promovendo bloqueios e atos de violência. A medida autoriza ações mais amplas das forças de segurança e permite o emprego das Forças Armadas para proteger infraestrutura considerada estratégica e garantir a circulação de pessoas e mercadorias.
Segundo o governo, a decisão foi tomada após o esgotamento das tentativas de negociação com setores que mantiveram os protestos mesmo após o acordo com a COB. As autoridades afirmam que os bloqueios afetaram o abastecimento, a economia e serviços essenciais em várias cidades bolivianas.
A crise teve início em maio e se transformou em uma das maiores ondas de protestos enfrentadas pelo governo desde a posse de Rodrigo Paz, em novembro de 2025. As manifestações reuniram sindicatos, agricultores, mineiros e movimentos sociais que contestam medidas econômicas e denunciam o agravamento da crise econômica no país.
Apesar do acordo, nem todos os grupos aceitaram encerrar a mobilização. Organizações camponesas e produtores de coca ligados ao ex-presidente Evo Morales anunciaram que continuam protestando e rejeitaram o entendimento firmado entre a COB e o governo. Essas lideranças acusam a central sindical de ter encerrado as negociações sem contemplar todas as reivindicações dos manifestantes.
Antes da assinatura do acordo, os bloqueios chegaram a superar uma centena de pontos em rodovias bolivianas. Com a suspensão das mobilizações pela COB, o número caiu significativamente, embora algumas interdições ainda permanecessem ativas durante o fim de semana.
O governo aposta que a combinação entre o acordo com a principal central sindical e as medidas previstas no estado de exceção permitirá restabelecer a circulação nas estradas e reduzir a tensão social. A permanência de protestos em algumas regiões, no entanto, indica que os desafios políticos e econômicos enfrentados pelo país ainda não foram totalmente superados.