Oposição acusa diretoria da Sicoob de fraude em eleição

Denúncia questiona sistema digital e pede intervenção da Justiça.

A eleição para o Conselho de Administração da cooperativa de crédito Sicoob Credicope, prevista para esta terça-feira (23), em Conselheiro Pena, Minas Gerais, passou a ser alvo de questionamentos judiciais após denúncias de supostas irregularidades no sistema de votação digital utilizado pela instituição.

Foto: Reprodução
Sede da Sicoob

O candidato da chapa de oposição, Antônio Henrique Gripp, protocolou na Justiça, no último dia 18, um pedido de medida urgente para garantir a transparência do processo eleitoral ou, se necessário, impedir a realização do pleito até que as denúncias sejam apuradas.

Segundo a ação, a atual diretoria da cooperativa estaria utilizando o aplicativo oficial Sicoob Moob para viabilizar um suposto esquema de manipulação de votos. As acusações têm como base o relato de um ex-funcionário da instituição, que trabalhou aproximadamente seis anos no setor administrativo.

Em duas atas notariais registradas nos dias 10 e 15 de junho deste ano, o ex-funcionário afirma que aparelhos celulares pertencentes à cooperativa teriam sido utilizados para acessar simultaneamente contas de diversos cooperados. Conforme o depoimento, cada aparelho poderia registrar votos em nome de três ou quatro associados.

Ainda de acordo com o relato, os principais alvos seriam cooperados idosos ou pessoas com pouca familiaridade com tecnologias digitais, que sequer teriam instalado o aplicativo ou conhecimento de que estariam participando das votações.

A denúncia aponta que cerca de 200 aparelhos poderiam estar sendo utilizados nesse suposto esquema, o que teria potencial para gerar centenas de votos indevidos em assembleias da cooperativa.

Outro ponto levantado pela oposição refere-se aos números registrados em assembleias anteriores. Documentos arquivados na Junta Comercial indicam que, em novembro de 2025, foram contabilizados 973 votos, embora apenas 94 participantes tenham sido registrados presencialmente. Já em março de 2026, a cooperativa registrou 1.329 votos, apesar da presença de 99 pessoas.

Segundo os autores da ação, antes do surgimento de uma disputa eleitoral mais acirrada, o número de votos costumava se aproximar do total de participantes presentes.

A oposição também sustenta que houve falhas na divulgação da atual assembleia. Conforme a denúncia, até a véspera do ajuizamento da ação, algumas agências ainda exibiam informações sobre eleições anteriores, já canceladas ou suspensas judicialmente, sem orientações claras sobre a votação marcada para o dia 23.

O processo eleitoral ocorrerá exclusivamente de forma digital, por meio do mesmo sistema contestado pela chapa de oposição.

As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público Estadual, que remeteu o caso ao Ministério Público Federal. Em seguida, foi determinada a abertura de inquérito policial pela Polícia Federal em Governador Valadares para apurar possíveis crimes, entre eles fraude e falsidade ideológica.

Na ação judicial, Antônio Henrique Gripp solicita a adoção de medidas para assegurar a auditabilidade do sistema, preservar provas digitais e evitar que eventuais irregularidades interfiram no resultado da eleição.

Até o momento, não houve manifestação pública da direção do Sicoob Credicope sobre as acusações.

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