A formalização de trabalhadores por conta própria e empregadores avançou no Brasil em 2025, mas o Nordeste permaneceu entre as regiões com menor proporção de pessoas com empreendimento registrado no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20,1% dos trabalhadores desses grupos na região tinham registro, contra 35% na média nacional.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho, divulgada nesta quarta-feira (23). O levantamento considera trabalhadores por conta própria e empregadores e mostra diferenças importantes de formalização conforme a região, escolaridade e atividade econômica.
Apesar de permanecer abaixo da média brasileira, o Nordeste apresentou avanço desde o início da série histórica, em 2012. Naquele ano, 11,8% dos trabalhadores desses grupos tinham CNPJ. O aumento foi de 8,3 pontos percentuais até 2025.
A distância em relação a outras regiões, porém, permanece significativa. O Sul registrou a maior proporção do país, com 46,7%, seguido por Sudeste e Centro-Oeste, ambos com 41,6%. O Norte teve a menor taxa, de 15,6%.
Construção avança, mas comércio lidera
O avanço da formalização também varia conforme a atividade econômica. Entre os trabalhadores por conta própria em todo o país, o comércio e a reparação de veículos apresentaram a maior proporção de CNPJ em 2025, com 36,7%.
Os serviços apareceram em seguida, com 33,5%, enquanto a indústria registrou 22,8%. Na construção, 14,8% dos trabalhadores por conta própria tinham CNPJ.
A atividade foi uma das que mais avançaram desde 2012. Naquele ano, apenas 3,9% dos trabalhadores por conta própria da construção possuíam registro. Em 2025, o percentual chegou a 14,8%, crescimento de 10,9 pontos percentuais.
Na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, a taxa nacional foi de apenas 6,5%, a menor entre as atividades analisadas.
Escolaridade amplia diferença
O nível de instrução também aparece associado à formalização. Em 2025, 50,8% dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo tinham CNPJ. Foi a primeira vez que o índice ultrapassou a marca de 50%.
Entre os trabalhadores com ensino médio completo e superior incompleto, a taxa foi de 29,7%. O percentual caiu para 18,6% entre aqueles com ensino fundamental completo e médio incompleto e para 11,1% entre pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.
No Nordeste, onde a proporção geral de trabalhadores com CNPJ foi de 20,1%, essa diferença por escolaridade ajuda a explicar parte da desigualdade na formalização, embora os dados apresentados pelo IBGE no levantamento não tragam, no material fornecido, o detalhamento específico por escolaridade para o Piauí.
Piauí aparece entre os estados com maior variação da gasolina
O levantamento também traz uma referência ao Piauí ao analisar a variação dos preços da gasolina comum. O estado aparece entre aqueles que registraram as maiores variações no período analisado, ao lado de Mato Grosso, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Paraná.
No recorte específico sobre formalização, entretanto, o material divulgado não informa o percentual de trabalhadores com CNPJ exclusivamente para o Piauí. Por isso, os dados disponíveis permitem dimensionar a situação do Nordeste, mas não estabelecer, a partir dessas informações, uma taxa estadual para o Piauí.
Mulheres têm maior cobertura de CNPJ
Outro recorte da pesquisa mostra que as mulheres apresentaram uma proporção ligeiramente maior de formalização que os homens em 2025. Entre empregadoras e trabalhadoras por conta própria, 36,7% das mulheres tinham CNPJ, contra 34,2% dos homens.
Em 2012, os percentuais eram de 24,4% entre as mulheres e 23,8% entre os homens. A diferença, portanto, passou de 0,6 para 2,5 pontos percentuais.
Maioria dos autônomos ainda está sem registro
Apesar do recorde de formalização no país, a maior parte dos trabalhadores por conta própria continua sem CNPJ. A taxa de registro nesse grupo chegou a 27,1% em 2025, ante 15% em 2012.
Isso significa que 72,9% dos trabalhadores por conta própria não tinham CNPJ no ano passado.
Entre os empregadores, o nível de formalização é significativamente maior: 81,1% tinham registro em 2025, contra 75,6% em 2012.
O analista de pesquisas do IBGE William Kratochwill relaciona a formalização ao grau de estruturação dos negócios e à escolaridade. Segundo ele, pessoas com maior nível de instrução podem ter mais facilidade para compreender custos, precificação e funcionamento de uma atividade empresarial.
Os dados, contudo, não permitem afirmar se o crescimento dos registros está relacionado ao fenômeno da pejotização. Segundo o pesquisador, a PNAD Contínua não reúne informações suficientes para estabelecer essa relação.