Equipes de resgate intensificaram nesta sexta-feira (4) as buscas por trabalhadores que podem estar presos em túneis de usinas hidrelétricas no Nepal, nove dias após as fortes inundações que atingiram a região próxima à fronteira com o Tibete, na China.
A esperança de encontrar mais sobreviventes aumentou depois que dois homens foram retirados com vida de um dos túneis. Um terceiro corpo também foi localizado no mesmo local. As operações continuam em sete túneis de usinas hidrelétricas, onde mais de 150 pessoas são consideradas desaparecidas, além de outras 19 áreas atingidas pela tragédia.
No túnel da usina Trishuli 3A, equipes de resgate ouviram, durante a madrugada, sons que poderiam ser vozes. Os socorristas fizeram contato com as pessoas que estavam no interior e receberam uma resposta. Em seguida, conseguiram localizar Sanjaya Shah e Kabir Maharjan.
Os dois apresentavam ferimentos nas mãos e nas pernas, possivelmente provocados pelas tentativas de avançar pelo túnel em meio à lama e aos escombros. Eles foram retirados do local e levados de helicóptero para um hospital militar em Katmandu, capital do Nepal.
Maharjan foi resgatado em estado crítico, segundo o gabinete do primeiro-ministro nepalês. Shah também passou por exames médicos. Mais tarde, os socorristas encontraram o corpo de uma terceira pessoa no mesmo túnel. O cadáver estava inchado e não havia sido identificado imediatamente.
As autoridades calculam que outras 39 pessoas possam estar dentro do túnel da Trishuli 3A. Ainda não há confirmação sobre quantas delas continuam vivas.
As operações enfrentam dificuldades provocadas pelo grande volume de água, lama e pedras acumuladas no interior das estruturas. Em alguns pontos, os socorristas precisam abrir novos acessos para conseguir chegar aos trabalhadores.
Engenheiros também estão bombeando ar para dentro dos túneis na tentativa de manter condições mínimas para a sobrevivência de possíveis vítimas. Parte das máquinas pesadas usadas nas operações foi levada pelas águas, dificultando a retirada dos escombros e a abertura dos acessos.
Segundo representantes do setor elétrico do Nepal, o resgate dos dois trabalhadores trouxe novo ânimo às equipes que atuam na região. Apesar disso, o nível da água continua alto e as condições permanecem perigosas.
As autoridades também alertaram para a possibilidade de novas chuvas e inundações na região, o que pode dificultar ainda mais os trabalhos de resgate.
O desastre atingiu com força um vale do Himalaia na última quarta-feira. Uma enorme quantidade de água e detritos desceu pela região e destruiu casas, estradas, veículos e comunidades inteiras.
A hipótese mais aceita até o momento é que a inundação tenha sido provocada pelo colapso de uma geleira. Pesquisadores ainda analisam as causas exatas do fenômeno e investigam o possível papel das mudanças climáticas.
De acordo com os números mais recentes, pelo menos 1.287 pessoas morreram no Nepal e outras 5.083 continuam desaparecidas. No lado tibetano, autoridades chinesas informaram 31 mortes e 531 pessoas ainda não localizadas.
O número total informado para Nepal e Tibete chega a 1.318 mortes confirmadas e 5.614 desaparecidos. Centenas de estrangeiros estão entre os desaparecidos, com vítimas ou pessoas não localizadas de pelo menos 34 países.
No Tibete, as equipes de emergência concentram os esforços principalmente no atendimento às pessoas afetadas que foram encontradas com vida. Na região, as autoridades chinesas divulgaram imagens da destruição, mas forneceram poucas informações sobre as vítimas e sobre a situação das comunidades atingidas.
Especialistas que analisam o desastre apontam que havia sinais de instabilidade crescente na região da geleira nos dias anteriores ao colapso. Segundo pesquisadores, sistemas mais eficientes de alerta poderiam ter ajudado a reduzir o número de vítimas.