Esposa do delegado-geral de Alagoas é alvo em operação da PF por fraude

Aially Xavier é investigada por suspeita de gabarito idêntico em concurso nacional

A esposa do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, Aially Xavier, tornou-se alvo da operação Última Fase da Polícia Federal, que investiga fraudes em concursos públicos, incluindo o Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024. A residência do casal foi alvo de mandado de busca e apreensão no dia 2 de outubro, e os detalhes da investigação foram divulgados nesta terça-feira (7). Aially teria apresentado um gabarito idêntico ao de outros candidatos suspeitos, levantando fortes indícios de participação em um esquema estruturado de fraude.

Foto: Divulgação/Polícia Federal
Polícia Federal

Segundo a Polícia Federal, o concurso foi dividido em dois turnos com três versões diferentes de provas para dificultar fraudes, mas foram encontradas respostas materialmente idênticas, inclusive com os mesmos erros, entre alguns candidatos. O nome de Aially surgiu após a Cesgranrio, organizadora do concurso, encaminhar informações que apontavam a semelhança total entre o gabarito dela e o de investigados. Apesar disso, a análise do celular da candidata não revelou dados diretamente ligados à fraude, mas o relatório da PF classifica os indícios como fortes.

A operação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e efetuou três prisões preventivas em Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Além do CNU, a investigação apura irregularidades em concursos das Polícias Civis de Pernambuco e Alagoas, da Universidade Federal da Paraíba, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Um dos métodos identificados para fraudes inclui o uso de ponto eletrônico implantado no corpo, removido apenas por procedimento médico, demonstrando a complexidade e ousadia do esquema.

Procurada, a defesa de Aially Xavier afirmou que não há provas concretas contra ela e que a coincidência de gabaritos pode ocorrer em provas concorridas. Também questionou a origem da ordem de busca, destacando que partiu de um delegado da Paraíba, enquanto Aially reside em Alagoas. O caso segue sob investigação, e a Polícia Federal continua apurando a extensão do esquema e a participação dos envolvidos, que pode resultar em desdobramentos importantes para a segurança e transparência dos concursos públicos.

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