TCU cobra Banco Central sobre sigilo em investigação do Banco Master

A apuração envolve suspeitas de que funcionários do Banco Central teriam recebido vantagens para facilitar procedimentos ligados ao Banco Master

O ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou nesta terça-feira (24) que o Banco Central do Brasil esclareça quais documentos do processo sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master devem permanecer sob sigilo.

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
Tribunal de Contas da União (TCU)

No despacho, o relator solicitou que a autoridade monetária indique de forma detalhada se há necessidade de restringir o acesso a trechos específicos ou se todo o material pode ser tornado público. Embora o conteúdo da decisão ainda não tenha sido divulgado oficialmente, o envio ao Banco Central foi confirmado por fontes ligadas às investigações.

Além disso, o ministro decidiu suspender a análise do relatório de inspeção elaborado pela unidade técnica do TCU até que três frentes de apuração avancem: a sindicância interna do Banco Central sobre servidores suspeitos de irregularidades, o processo administrativo disciplinar conduzido pela Controladoria-Geral da União (CGU) e investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas ao caso.

A apuração envolve suspeitas de que funcionários do Banco Central teriam recebido vantagens para facilitar procedimentos ligados ao Banco Master, instituição associada ao empresário Daniel Vorcaro, em negociações com o BRB.

Com a paralisação, a conclusão da análise e a apresentação do voto do relator devem atrasar. Inicialmente, a expectativa era que o parecer fosse levado ao plenário em até 40 dias após o recebimento da auditoria, prazo que se encerraria entre o fim de março e o início de abril.

Nos bastidores do TCU, a condução do caso gerou desconforto, após a informação de que resultados da apuração interna do Banco Central teriam sido compartilhados com a CGU, mas não com o tribunal responsável pela fiscalização.

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