Um esquema milionário de lavagem de dinheiro, com ramificações em três estados, levou o Ministério Público do Piauí a denunciar 12 pessoas suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações indicam que o grupo teria movimentado cerca de R$ 5 bilhões por meio de uma rede estruturada para ocultar recursos ilícitos.
A denúncia é resultado da Operação Carbono Oculto 86, que identificou a atuação de um núcleo responsável por viabilizar financeiramente atividades da organização criminosa. De acordo com o Ministério Público do Estado do Piauí, os investigados utilizavam empresas, postos de combustíveis e até estruturas do sistema financeiro para dar aparência legal ao dinheiro.
As apurações começaram a partir de reclamações de consumidores sobre irregularidades em combustíveis. A partir disso, fiscalizações revelaram um padrão de fraudes recorrentes em estabelecimentos ligados ao grupo, incluindo manipulação de bombas e adulteração de produtos.
Além das irregularidades nos postos, o MP aponta que os suspeitos recorriam a pessoas interpostas, os chamados “laranjas”, para movimentar valores e dificultar o rastreamento das operações. Também foi identificada a atuação de um técnico especializado que vinha de fora do estado para alterar equipamentos de medição.
Outro dado que chamou atenção dos investigadores foi a concentração de autuações em determinados estabelecimentos ao longo dos anos, especialmente entre 2021 e 2024, período em que a maioria das infrações registradas estaria ligada às redes investigadas.
Como medida cautelar, a Justiça determinou o fechamento de postos associados ao grupo e o bloqueio de bens dos envolvidos.
Na ação, o Ministério Público pede a condenação dos denunciados e o pagamento de mais de R$ 74 milhões por danos morais coletivos. O caso ainda aguarda decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia.