Bolsonaro burla proibição e Moraes exige explicação de advogados em 24h

Ministro cobra esclarecimentos após ex-presidente mostrar tornozeleira e discursar

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas para que os advogados de Jair Bolsonaro expliquem a burla à ordem que proíbe o ex-presidente de conceder entrevistas ou divulgar imagens e vídeos em redes sociais próprias ou de terceiros. Após reunião com a oposição na Câmara dos Deputados, Bolsonaro cancelou a coletiva que havia organizado, mas desafiou a determinação ao se deixar fotografar com a tornozeleira eletrônica e proferir um discurso ao lado de apoiadores.

Foto: Minervino Jr./CB/D.A Press
Jair Bolsonaro.

No despacho, Moraes reforça que o veto ao uso das redes sociais inclui transmissões, retransmissões ou veiculação de qualquer material audiovisual, e que o investigado não pode se valer desses meios para burlar a medida. O ministro advertiu que o descumprimento da proibição pode levar à revogação imediata do benefício e à decretação da prisão do ex-presidente. O discurso de Bolsonaro, no qual negou crimes e classificou a situação como uma humilhação, foi amplamente divulgado pela imprensa e reproduzido em redes sociais por seus filhos e aliados.

A presença de Bolsonaro na Câmara teve o objetivo de reforçar o apoio do bolsonarismo à anistia para os envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 e de se posicionar contra Moraes e o STF. A reunião convocada pela bancada do PL contou com participação de mais de 54 deputados e resultou na criação de três comissões para coordenar discursos, mobilizações parlamentares e manifestações externas da militância bolsonarista. Está marcado para 3 de agosto um ato nacional em resposta às medidas judiciais contra o ex-presidente.

O episódio gerou tumulto na Câmara, com um grande aparato de segurança, parlamentares e imprensa acompanhando Bolsonaro. Durante a passagem pelo Salão Verde, houve destruição de uma mesa de vidro e o deputado Nikolas Ferreira foi atingido no rosto por um celular. Os bolsonaristas garatem intensificar as manifestações e ocupar as ruas em defesa do ex-presidente, desafiando as restrições impostas pela Justiça.

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