A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) permanece detida em uma penitenciária feminina em Roma, na Itália, onde passará por audiência de custódia nesta quarta-feira (31). A prisão ocorreu na última terça-feira (29), após a Polícia Federal brasileira informar seu paradeiro à polícia italiana. Em decisão recente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) adote todas as providências cabíveis para viabilizar a extradição da parlamentar.
Condenada a 10 anos de prisão em regime fechado por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli teve o processo transitado em julgado, o que impede qualquer novo recurso. Além disso, ela foi responsabilizada por forjar um mandado de prisão contra Moraes, assinado com o nome do próprio ministro. Desde 4 de junho, um dia após anunciar sua saída do Brasil, Zambelli teve a prisão preventiva decretada e seu nome incluído na lista vermelha da Interpol.
Apesar da nacionalidade brasileira, a deputada possui cidadania italiana, o que pode dificultar sua extradição. O tratado bilateral entre Brasil e Itália não obriga a entrega de cidadãos italianos às autoridades brasileiras. A defesa de Zambelli alega perseguição política e afirma que ela deseja ser julgada pela Justiça italiana, onde, segundo seus advogados, poderá comprovar inocência. Enquanto isso, o governo brasileiro já iniciou os trâmites oficiais para garantir seu retorno ao país.
Paralelamente, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), viajou à Itália para solicitar asilo político à premiê Giorgia Meloni e pedir que o ministro da Justiça local, Carlo Nordio, recuse o pedido de extradição. No Brasil, tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara o processo de cassação do mandato de Zambelli, que pode ser votado em agosto ou setembro, conforme informou o presidente do colegiado, deputado Paulo Azi (União-BA).