A Polícia Federal indiciou, nesta quarta-feira (20), o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo que investiga a tentativa de golpe. Segundo relatório de 170 páginas, ambos atuaram em conjunto com o jornalista Paulo Figueiredo e o pastor Silas Malafaia para tentar interferir na ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
O documento também aponta que Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões à conta da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, repassados no dia seguinte à conta de Heloísa Bolsonaro, esposa de Eduardo. A PF concluiu que a operação teve como objetivo “escamotear” recursos e evitar bloqueios judiciais. Outro ponto destacado foi a minuta de um pedido de asilo político à Argentina, encontrada em celular do ex-presidente, na qual ele alegava perseguição política e buscava apoio do aliado Javier Milei.
Diante das conclusões, o ministro Alexandre de Moraes determinou busca e apreensão contra Malafaia, além da retenção de seu passaporte e restrição de contato com Bolsonaro e Eduardo. No aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, o pastor foi abordado por agentes federais ao desembarcar de Lisboa, teve celulares apreendidos e prestou depoimento. Gravações apresentadas pela PF mostram Malafaia orientando Bolsonaro a descumprir medidas cautelares e a pressionar o STF por meio de discursos nas redes sociais.
Além das acusações, o relatório traz mensagens em que Eduardo Bolsonaro chega a xingar o pai após críticas públicas, mas, em seguida, se retrata. Em nota, o deputado negou ter atuado para influenciar o julgamento do ex-presidente, afirmando que sua mobilização no exterior se restringia à defesa de liberdades individuais e à tramitação do projeto de anistia no Congresso. Até o fechamento da edição, a defesa de Jair Bolsonaro não havia se pronunciado.