A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a concluir o julgamento que pode levar à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete integrantes do núcleo central da denúncia sobre o plano de golpe de Estado. A análise começou na semana passada, com o relator Alexandre de Moraes defendendo a inflexibilidade do STF na defesa da soberania nacional e a acusação do procurador-geral Paulo Gonet apontando coordenação direta de Bolsonaro no suposto plano.
Durante as sessões, as defesas dos réus apresentaram suas teses, criticando principalmente a delação do tenente-coronel Mauro Cid, considerado peça-chave para o Ministério Público, e questionando a ausência de provas materiais contra seus clientes. Entre os acusados, estão ex-ministros, generais e o deputado federal Alexandre Ramagem, que rechaçou as acusações de organização criminosa. Já a defesa de Bolsonaro sustentou que não houve crime e que não se pode punir atos meramente preparatórios.
Nas sustentações orais, advogados destacaram a atuação de seus clientes no serviço público, argumentaram sobre excessos nas investigações e buscaram desqualificar documentos apresentados como provas, como a minuta de decreto de estado de defesa encontrada na casa de Anderson Torres. O processo também trouxe críticas à postura do relator e à condução das investigações, especialmente no que diz respeito ao uso de delações premiadas no caso.
A próxima etapa ocorre a partir desta terça-feira (9), quando começam os votos dos ministros do STF. Alexandre de Moraes será o primeiro a se pronunciar, seguido por Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Caso a maioria decida pela condenação, o colegiado fixará as penas; em caso de absolvição, o processo será arquivado, definindo o desfecho de um dos julgamentos mais aguardados do cenário político brasileiro.