O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou na Câmara dos Deputados um pedido de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A proposta reúne 201 assinaturas de apoio e tem como foco principal a negociação estimada em R$ 12 bilhões em títulos e carteiras de crédito realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), instituição financeira pública do Distrito Federal.
Com o requerimento formalizado, o parlamentar aguarda despacho da Presidência da Câmara para a leitura em plenário e o início do processo de instalação do colegiado. Atualmente, não há CPIs em funcionamento na Casa, o que elimina impedimentos regimentais. Rollemberg defende que a dimensão do caso exige uma resposta imediata do Congresso, destacando possíveis impactos no sistema financeiro e no campo político, com envolvimento de autoridades estaduais e federais.
As operações financeiras investigadas levantaram alertas em órgãos de controle. Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que o BRB pode ter de arcar com eventuais prejuízos que chegam a R$ 5 bilhões. Além disso, parlamentares da oposição defendem que a CPI também apure a atuação do Banco Master em outros segmentos, como o mercado de crédito consignado, inclusive com impactos sobre aposentados e pensionistas.
Paralelamente ao pedido na Câmara, há articulações para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), liderada pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-AL) e Fernanda Melchionna (PSol-RS). Embora as assinaturas de senadores já tenham sido alcançadas, o grupo enfrenta resistência política para obter o apoio mínimo entre deputados. O caso também é citado em investigações em andamento no Senado, como a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado, ampliando o alcance das apurações sobre o Banco Master.