O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias para discutir a escolha do relator da proposta que altera a jornada de trabalho no país e prevê o fim da escala 6x1. A conversa deve ocorrer até segunda-feira, antes da instalação da comissão especial que analisará o mérito da proposta. O objetivo é definir um nome que tenha apoio político suficiente e que não gere resistência dentro do governo federal, facilitando o avanço da matéria no Congresso Nacional.
Nos bastidores, a intenção é que o relator escolhido seja um parlamentar de centro e favorável à proposta de redução da jornada de trabalho. Entre os nomes mais cotados para assumir a função estão os deputados Paulo Azi, Alencar Santana e Paulinho da Força. A escolha é vista como estratégica para garantir um relatório equilibrado e ampliar as chances de aprovação da proposta ainda no primeiro semestre, conforme a expectativa da Câmara.
O governo federal já admite negociar uma regra de transição para implementar a nova jornada semanal. A proposta em discussão prevê a redução gradual da carga horária de 44 para 40 horas semanais ao longo de dois anos, passando para 42 horas em 2027 e chegando a 40 horas em 2028. A medida é considerada uma alternativa para reduzir resistências e permitir adaptação por parte do setor produtivo.
Apesar do avanço das negociações, ainda há divergências sobre a inclusão de benefícios fiscais para compensar a redução da jornada. Partidos de centro e de direita defendem que a proposta inclua algum tipo de desoneração para setores econômicos, enquanto o governo sinaliza resistência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já indicou que pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso o Congresso aprove medidas de compensação consideradas inadequadas. O debate deve intensificar as articulações políticas nos próximos dias, em uma pauta que reúne forte apelo popular e impacto econômico relevante.