A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal marcou um momento crítico para o governo de Lula, gerando comemoração nos bastidores da oposição. Para muitos, essa derrota pode significar um golpe profundo na governabilidade e na candidatura do petista a um possível quarto mandato.
O cenário político revelava que essa votação tinha uma importância histórica e simbólica significativa para Lula. Durante a manhã, apesar das especulações sobre a possibilidade de Messias não ser aprovado no Senado, havia uma visão otimista de que ele seria confirmado, mesmo que por uma margem apertada.
No entanto, a sessão comandada por Davi Alcolumbre, que incluía nove votações preliminares, demonstrou a miopia política dos líderes governistas. O sucesso relativo nas votações anteriores não refletia a complexidade e o simbolismo envolvidos na indicação de Messias, um nome fortemente associado ao presidente e ao Partido dos Trabalhadores.
Do lado da oposição, uma estratégia meticulosa estava em andamento há meses, liderada por Alcolumbre e por Rogério Marinho, que conseguiu convencer senadores do MDB e PSD a votar contra o indicado do governo, pegando o Planalto desprevenido.
A escolha de Lula por um núcleo político de esquerda, incluindo Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos, e posteriormente José Guimarães, mostrou-se insuficiente. Guimarães, que possui boa relação na Câmara, não conseguiu estabelecer comunicação eficaz no Senado, enfraquecendo ainda mais a articulação política.
A ausência de apoio de Alcolumbre foi um sinal claro de que qualquer indicação sem sua aprovação poderia fracassar. A sugestão de adiar a indicação ao STF para após as eleições traz riscos, como a não análise do nome pelo Senado em caso de derrota eleitoral de Lula.
O enfrentamento entre Alcolumbre e o Executivo reflete a percepção de uma mudança de poder em curso, com Alcolumbre tentando se alinhar à direita. A derrota na indicação de Messias evidenciou a falta de controle de Lula sobre o Congresso, além de impactar diretamente na força de sua candidatura a um novo mandato.