O encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca terminou com elogios públicos, promessas de aproximação e uma decisão silenciosa: deixar de fora temas que poderiam tensionar a relação entre Brasil e Estados Unidos.
Durante cerca de três horas de reunião em Washington, nesta quinta-feira (7), os líderes discutiram comércio, minerais estratégicos, guerras internacionais e mudanças no Conselho de Segurança da ONU. Assuntos considerados delicados, porém, ficaram fora da pauta, como a pressão americana sobre o PIX e a possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas como organizações terroristas pelos EUA.
Após o encontro, Trump classificou a conversa como “muito boa” e chamou Lula de “muito dinâmico”. Já o presidente brasileiro afirmou ter saído “muito satisfeito” e sinalizou que novas reuniões devem ocorrer nos próximos meses.
Entre os principais temas discutidos esteve a tentativa de reconstruir a relação diplomática entre os dois países. Lula afirmou que defendeu mais diálogo e cooperação econômica, além da criação de um grupo bilateral para negociar impasses comerciais e tarifas de importação.
A exploração de terras raras também ganhou espaço na conversa. Lula disse que o Brasil quer atrair investimentos internacionais para explorar minerais estratégicos, mas sem repetir o modelo de exportação apenas de matéria-prima. Segundo ele, o governo pretende desenvolver toda a cadeia industrial no país.
Na área internacional, Lula afirmou ter defendido soluções diplomáticas para conflitos e criticado guerras e intervenções militares. O presidente também voltou a cobrar mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas, defendendo a entrada de novos membros permanentes, incluindo o Brasil.
Apesar da expectativa em torno do PIX — alvo de investigação comercial dos EUA —, Lula afirmou que o assunto não foi citado por Trump e, por isso, também preferiu não abordá-lo. O presidente ainda disse que levou integrantes da equipe econômica preparados para discutir o tema.
O encontro também teve momentos de descontração. Lula contou ter brincado com Trump sobre a próxima Copa do Mundo ao pedir que os Estados Unidos não dificultem a entrada de jogadores brasileiros no país. Segundo o presidente, o republicano reagiu com risadas.