Partidos encerram anos eleitorais com déficit apesar do fundão bilionário

Legendas acumulam gastos acima da arrecadação mesmo com repasses públicos

Mesmo com a previsão de quase R$ 5 bilhões do Fundo Eleitoral para as eleições de 2026, partidos políticos brasileiros continuam encerrando anos de disputa com mais despesas do que receitas. Levantamento realizado a partir dos balanços financeiros das legendas mostra que, em 2024, 19 dos 29 partidos que participaram das eleições municipais registraram saldo negativo. Em 2022, durante as eleições gerais, o cenário foi ainda mais amplo, com 24 siglas gastando acima do que arrecadaram ao longo do período eleitoral.

Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
Sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília

Segundo dirigentes partidários, a estratégia utilizada pelas legendas consiste em acumular recursos nos anos sem eleições para ampliar os investimentos em campanhas. Apesar de não representar irregularidade, a prática é acompanhada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por analisar as prestações de contas e verificar a justificativa das despesas realizadas pelos partidos. O Fundo Eleitoral é destinado exclusivamente às campanhas, enquanto o Fundo Partidário financia despesas administrativas e manutenção das siglas.

Entre os exemplos citados nos balanços estão o Partido Liberal, que registrou déficit de R$ 78,7 milhões em 2022 durante a campanha presidencial, além de novo saldo negativo em 2024. O Partido da Social Democracia Brasileira também apresentou despesas superiores às receitas em anos eleitorais. Já o Partido dos Trabalhadores afirmou que os resultados negativos estão ligados às variações contábeis do Fundo Eleitoral e não representam prejuízo financeiro efetivo para a legenda.

Especialistas apontam preocupação com o crescimento contínuo dos custos de campanha e a ausência de limites mais rígidos para os gastos eleitorais. Para a diretora-executiva da Transparência Brasil, Juliana Sakai, os valores aplicados nas campanhas aumentam a cada eleição sem um teto claramente definido. Já analistas políticos avaliam que os partidos tratam os déficits eleitorais como investimento estratégico para ampliar bancadas e conquistar maior participação nos recursos públicos distribuídos futuramente.

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