Perícia identifica falhas em laudo e reabre debate sobre morte de JK

Inconsistências em documento oficial levantam novas dúvidas sobre acidente de 1976

A morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek voltou ao centro do debate nacional após uma nova perícia apontar inconsistências no laudo oficial elaborado à época do acidente ocorrido em 1976. O relatório, incorporado às investigações da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, identificou falhas técnicas no documento original e incompatibilidades no horário registrado para o óbito, levantando suspeitas sobre a versão oficial que atribuiu a morte a um acidente automobilístico na Via Dutra. 

Foto: GOV
Juscelino Kubitschek

De acordo com a análise pericial, elaborada inicialmente em 2017 e retomada nas novas apurações, o horário descrito no laudo médico não condiz com a dinâmica do acidente e com outros elementos documentais reunidos pela investigação. A inconsistência reforça a tese de que a morte do ex-presidente pode não ter sido resultado de uma fatalidade no trânsito, como sustentado por décadas, mas de uma ação deliberada ocorrida durante o período da ditadura militar. 

A nova conclusão contrasta com investigações anteriores, incluindo análises da Comissão Nacional da Verdade, que haviam mantido a versão de acidente. Agora, os peritos sustentam que as falhas documentais e a incompatibilidade temporal encontrada no laudo justificam a reabertura da discussão sobre as circunstâncias da morte de JK, um dos principais nomes da história política brasileira e responsável pela construção de Brasília.

O caso segue sob análise do Ministério Público Federal, que deverá avaliar os novos elementos reunidos pela comissão. A reabertura da investigação reacende discussões sobre episódios obscuros da ditadura e amplia a pressão por esclarecimentos definitivos sobre a morte do ex-presidente, cuja trajetória política permanece marcada por controvérsias e por sua relevância histórica no processo de modernização do país. 

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