Investigação da PF aponta rede tecnológica e criminosa ligada ao caso Master

Apuração mostra uso de hackers, inteligência artificial e milicianos no esquema

A Polícia Federal revelou novos desdobramentos da Operação Compliance Zero ao apontar a existência de uma estrutura sofisticada ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigada por atuar com ataques cibernéticos, monitoramento ilegal e intimidação física contra adversários. Segundo as investigações, o esquema reunia hackers, operadores de tecnologia, policiais e integrantes de grupos milicianos, supostamente mobilizados para proteger interesses relacionados ao Banco Master. As informações vieram à tona após documentos da investigação serem detalhados em reportagem nacional exibida neste fim de semana. 

Foto: Divulgação/Polícia Federal
Polícia Federal

De acordo com a PF, o grupo operava em dois núcleos distintos. O primeiro, identificado como braço digital, utilizava inteligência artificial, softwares especializados e técnicas de invasão para monitorar alvos, derrubar perfis em redes sociais e obter informações privadas. Os investigadores apontam que a estrutura tecnológica contava com operadores especializados, alguns deles já alvos de mandados judiciais, e seria responsável por ações coordenadas de espionagem virtual e manipulação de conteúdo online. 

O segundo núcleo seria voltado à intimidação presencial, com atuação de policiais aposentados, operadores ligados ao jogo do bicho e suspeitos com vínculos milicianos. Segundo a investigação, esse grupo realizaria ações de pressão física contra pessoas consideradas ameaças aos interesses da organização. Relatos colhidos pela PF incluem episódios de abordagens intimidatórias contra ex-funcionários e pessoas ligadas ao entorno empresarial investigado. A apuração também indica a participação de familiares de Vorcaro na coordenação operacional dessas ações. 

O avanço das investigações amplia a repercussão política e judicial do caso, que já mobiliza diferentes frentes no Supremo Tribunal Federal e no Congresso Nacional. A Operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes financeiros, lavagem de dinheiro, organização criminosa e ataques digitais, segue em nova fase de coleta de provas. 

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