Uma aeronave registrada em nome do senador Ciro Nogueira foi bloqueada por decisão do ministro André Mendonça no âmbito de uma investigação da Polícia Federal ligada ao chamado caso Master.
O avião, um Beechcraft B200 King Air avaliado em cerca de R$ 10 milhões, havia sido vendido em 2023 para empresas ligadas ao empresário Netinho Lins e ao cantor Luan Estilizado. Apesar da negociação, a aeronave continua oficialmente registrada no nome de Ciro porque a transferência definitiva da propriedade ainda não foi concluída.
Segundo documentos obtidos pelo SBT News, a venda foi feita no sistema de “reserva de domínio”, modalidade em que o comprador paga o bem de forma parcelada e a propriedade só muda oficialmente após a quitação total.
A decisão que determinou o bloqueio do avião não havia sido divulgada publicamente pela Polícia Federal nem aparecia de forma explícita na decisão do STF. A medida foi identificada nos registros oficiais da aeronave.
Os documentos indicam que Ciro Nogueira comprou o avião ao longo dos anos da construtora do irmão dele, Raimundo Nogueira, apontado pela PF como administrador de negócios ligados ao senador. O custo total da aquisição teria sido de cerca de R$ 4 milhões.
Anos depois, a aeronave foi revendida por aproximadamente R$ 9,5 milhões, valor mais que o dobro do pago inicialmente. O comprador Netinho Lins atua no setor de eventos e apostas online e dirige a associação Abep Bets Brasil.
Luan Estilizado, que também aparece como comprador da aeronave, mantém proximidade política com lideranças do Progressistas e com o presidente da Câmara, Hugo Motta.
As empresas dos compradores afirmaram que a transferência da aeronave ainda está em andamento e que o modelo de contrato previa que o avião permanecesse temporariamente no nome do vendedor.
Até o momento, não há acusação formal relacionada diretamente à venda da aeronave. A defesa de Ciro Nogueira não havia se pronunciado sobre o caso até a publicação da reportagem.