Governo descarta recuo dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho

Classificação das facções como terroristas deve entrar em vigor nesta semana

O governo federal avalia que há poucas chances de os Estados Unidos voltarem atrás na decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto consideram que a medida já está consolidada dentro da política externa norte-americana e deve entrar oficialmente em vigor a partir desta quinta-feira (5). 

Foto: Reuters/Fabian Bimmer
Presidente Lula

A decisão foi anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA e prevê o enquadramento das duas maiores facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês). O governo brasileiro tem manifestado preocupação com os possíveis desdobramentos diplomáticos, econômicos e jurídicos da medida, além de considerar que a classificação pode gerar tensões nas relações bilaterais entre Brasília e Washington. 

Entre os receios do Planalto estão eventuais impactos sobre o sistema financeiro brasileiro, especialmente em mecanismos de pagamento e instituições que possam ser submetidos a maior escrutínio internacional. Integrantes do governo também avaliam que a nova classificação pode ampliar riscos de insegurança jurídica para empresas que atuam em áreas sob influência do crime organizado, além de afetar setores econômicos estratégicos. 

Autoridades brasileiras continuam defendendo que o combate às facções deve ocorrer por meio da cooperação internacional e do fortalecimento das instituições nacionais, sem interferências externas. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já classificou a medida norte-americana como uma questão sensível à soberania nacional e afirma que seguirá acompanhando os desdobramentos da decisão nos próximos dias. 

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