O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito para atuar em processos e eventuais investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master. A defesa argumenta que há elementos que justificariam o afastamento do magistrado dos casos envolvendo o ex-banqueiro.
O pedido foi apresentado ao STF após Moraes encaminhar para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR) uma solicitação feita pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). O parlamentar pediu a apuração de supostas conexões entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro relacionadas ao financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a petição da defesa, o fundamento para o reconhecimento da suspeição estaria em uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro. Os advogados citam informações da Receita Federal segundo as quais o Banco Master teria realizado pagamentos de cerca de R$ 80 milhões ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, pela prestação de serviços jurídicos.
Os defensores afirmam que não atribuem irregularidades à relação comercial mencionada, mas sustentam que o caso exige observância rigorosa das normas processuais destinadas a assegurar a imparcialidade do julgamento.
O requerimento também busca retirar da relatoria de Moraes a análise do pedido apresentado por Lindbergh. A defesa de Flávio Bolsonaro pede que a questão seja redistribuída ao ministro André Mendonça.
A iniciativa ocorre em meio às negociações de colaboração premiada conduzidas por Daniel Vorcaro junto às autoridades federais. O empresário está preso em Brasília e tenta avançar em um acordo de delação que vem sendo analisado pelos órgãos responsáveis.
As suspeitas levantadas por Lindbergh tiveram origem em mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Segundo o pedido encaminhado ao STF, os diálogos indicariam cobranças feitas pelo senador para a destinação de recursos ao filme "Dark Horse", produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.