Cônsul dos EUA diz que relação com Brasil mudou após tarifaço

Declaração ocorre em meio à ameaça de novas sobretaxas a produtos brasileiros.

Em meio à ameaça de novas barreiras comerciais dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, o cônsul-geral americano em São Paulo, Kevin Murakami, afirmou nesta terça-feira (9) que a relação entre Brasil e EUA atravessa um momento diferente daquele vivido após o primeiro tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump.

Foto: Reprodução
Kevin Murakami afirmou que o diálogo entre Brasil e EUA avançou mesmo diante de novas tensões comerciais.

Murakami, que assumiu o posto em setembro de 2025, disse ter chegado ao país em um período marcado por tensões diplomáticas e comerciais entre Brasília e Washington. Nove meses depois, segundo ele, o cenário mudou rapidamente.

"Cheguei em São Paulo em setembro do ano passado, um momento difícil em termos de nossa relação bilateral. [...] As relações entre nossos países estão mudando tão rápido. Hoje é bem diferente de quando cheguei", afirmou durante evento promovido pelo LIDE, na capital paulista.

A declaração ocorre em um momento de renovada pressão comercial dos Estados Unidos sobre o Brasil. Na última semana, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendou a adoção de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e desmatamento.

A medida pode ser somada a outra proposta em análise pelo governo americano, que prevê uma sobretaxa de 12,5% sobre importações oriundas de países considerados insuficientemente rigorosos no combate ao trabalho forçado. Caso as duas iniciativas avancem, parte das exportações brasileiras poderá enfrentar uma taxação total de até 37,5%.

Apesar do novo foco de tensão, Murakami indicou que o diálogo político entre os dois países avançou desde a crise desencadeada pelas primeiras medidas tarifárias adotadas por Trump.

Leia também